"O André Mendonça estava utilizando o cargo dele de relator para fazer política, está provado. Estava fazendo denúncia seletiva, divulgando apenas aquilo que interessava para ele", declarou o presidente.
Ao mesmo tempo em que declarou que o ministro do STF Alexandre de Moraes deve "pagar", caso tenha cometido irregularidades envolvendo o contrato milionário do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci de Moraes, Lula declarou que o magistrado sofre oposição do bolsonarismo por ter "defendido a democracia" durante as eleições de 2022 e o julgamento de tentativa de golpe de Estado.
"A briga da família Bolsonaro com o Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é pela prisão da família. É por causa do comportamento do Alexandre de Moraes que foi correto em defender a democracia desse País. Se o Alexandre de Moraes cometeu um erro no contrato, é uma decisão da Suprema Corte e ele terá que pagar", disse Lula.
Sobre a crise no Supremo, em que a Corte julga as condutas de Moraes e Mendonça, dividindo duas alas e paralisando o tribunal, Lula disse não acreditar que esse seja o único fator determinante para mudar os rumos da eleição presidencial.
"Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se (Luiz) Fux está envolvido, se (André) Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE (Kassio Nunes Marques) está envolvido. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois. Todo mundo já tem material, é só tornar público", declarou.
Pela primeira vez, Lula defendeu publicamente a junção das ações que julgam as condutas de Mendonça e Moraes. O STF está dividido sobre o tema, com o julgamento de uma questão de ordem sobre a união, proposta pelo decano Gilmar Mendes, dividindo a Corte em 4x3 a favor de uma separação, além de um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que deve empatar o placar.
O presidente voltou a defender uma reforma do Judiciário, afirmando que ministros do Supremo não podem querer ser ricos e estipulando a ideia de um mandato para os magistrados. "Tem que servir à sociedade e não se servir do cargo", afirmou. Lula disse também que a Corte precisa ser respeitada pela opinião pública, pois, caso contrário, não conseguirá passar a imagem de "guardiã da população".
Participação na Assembleia da ONU
Lula declarou, durante a entrevista na rádio, que o discurso que ele fará na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) vai tratar sobre economia global e o Conselho de Segurança.
"Vai ser um bom discurso. Um discurso que fala da economia do mundo, da pouca representatividade do Conselho de Segurança da ONU, das guerras e da falta de lideranças hoje para tomar decisões", declarou Lula.
Lula voltou a dizer que pretende falar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seguida ao discurso.
O americano fala na ONU após Lula e o petista quer impor a Trump que não haja interferência americana na eleição presidencial brasileira.
Sobre dosimetria de golpistas do 8/1
Ainda na entrevista Lula defendeu que os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 cumpram suas pena, mas destacou que a decisão caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF), após o Congresso Nacional ter derrubado seu veto integral ao PL da Dosimetria.
"Eu acho que ninguém pode ser preso eternamente. Em algum momento a Suprema Corte pode tomar decisões e mudar o próprio julgamento que ela já fez. Eu, da minha parte, acho que eles têm que cumprir a pena, porque eles tentaram dar um golpe", disse.
(Com Agência Estado)
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