Com mínima de R$ 5,4166, o dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 2, em baixa de 1,16%, a R$ 5,4256 - menor valor de fechamento desde 15 de dezembro. Nos dois últimos pregões, a moeda americana apresenta queda de 2,57% em relação ao real. No ano passado, recuou 11,18% - a maior desvalorização anual desde 2016.
O real apresentou de longe o melhor desempenho entre as divisas emergentes e de exportadores de commodities mais líquidas. Peso mexicano e rand sul-africano avançaram cerca de 0,50% na comparação com o dólar. Já o índice DXY - que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes - subia cerca de 0,15% no fim da tarde, na casa dos 98,46 pontos.
O diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observa que o real recuou cerca de 6% em relação ao peso mexicano e o peso chileno ao longo de dezembro. "Isso aconteceu pelo anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro e as remessas do fim de ano. Sem a pressão das remessas e com menos ruídos políticos, o real tem espaço para se recuperar", afirma Weigt, ressaltando que a moeda brasileira continua muito atraente para operações de carry trade com o amplo diferencial entre juros interno e externo.
A avaliação entre analistas é que o Comitê de Política Monetária (Copom) tende a iniciar um ciclo de cortes da Selic apenas em março. Não está descartada a possibilidade de que o Federal Reserve promova cortes adicionais de juros ao longo do primeiro trimestre, embora as apostas majoritárias sejam de manutenção da taxa básica americana no encontro de política monetária em janeiro.
Na tarde desta sexta, 2, o Banco Central informou que o fluxo cambial total em dezembro, até 26, foi negativo em US$ 8,410 bilhões, com saídas líquidas de US$ 15,047 bilhões pelo canal financeiro, que abrange as remessas de lucros e dividendos. Em dezembro de 2024, as saídas pelo canal financeiro superaram US$ 24 bilhões.
Neste ano, até 26 de dezembro, o fluxo cambial total está negativo em US$ 28,164 bilhões, com entrada líquida de US$ 48,367 bilhões via comércio exterior e saídas líquidas de US$ 76,532 bilhões pelo lado financeiro.
O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, diz que em igual período de 2024, o fluxo financeiro total era negativo em US$ 14,7 bilhões. Naquele período, houve entrada líquida de US$ 68,2 bilhões pelo comércio exterior - ou seja, US$ 20 bilhões superior à observada neste ano.
"Observa-se, portanto, uma deterioração relevante do saldo, explicada pela piora do segmento comercial. Enquanto o fluxo de exportações recuou de US$ 297,0 bi para US$ 284,4 bi, o de importações aumentou de US$ 228,9 bi para US$ 236,0 bi", afirma o economista, em nota.
(Com Agência Estado)
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