Embora a economia britânica tenha se mostrado mais resiliente do que o esperado neste ano e registre crescimento forte, o governo tem pouco espaço fiscal para avançar com as promessas do Partido Trabalhista de recuperar os serviços públicos.
Como em outras economias, o Reino Unido vem sendo afetado pela inflação gerada pela guerra no Irã e pelos gargalos no Estreito de Ormuz, que reduziram a oferta global de petróleo e gás.
A inflação britânica subiu para 3,5%, perto do maior nível em quase um ano, à medida que o conflito segue pressionando os preços dos combustíveis, e deve avançar mais nos próximos meses. Com isso, cresce a expectativa de que o Banco da Inglaterra (BoE) eleve os juros em breve, o que tende a encarecer ainda mais o custo de financiamento da dívida pública.
Orçamento deve ser relativamente discreto
Nesse contexto, a expectativa é de que o orçamento de Healey seja relativamente discreto, sobretudo em um momento em que os mercados de títulos demonstram preocupação com os níveis de endividamento ao redor do mundo. A França tem estado no foco recentemente após uma onda de protestos expor a fragilidade de suas contas públicas.
Matthew Amis, diretor de investimentos da Aberdeen Investments, avalia que um orçamento sem grandes novidades pode ser bem recebido pelos mercados, reduzindo o custo de captação do governo. Isso poderia, no longo prazo, abrir espaço para mais investimentos em áreas como escolas, hospitais e defesa.
"O ponto de cautela é que investidores internacionais punem muito rapidamente países com uma história fiscal fraca. Basta olhar para a França", afirmou.
Healey disse que foco será custo de vida
Nos poucos comentários antes do anúncio, Healey afirmou que pretende dar a empresas e famílias algum alívio diante da escalada do custo de vida, o que pode incluir medidas para amortecer o impacto de preços mais altos de energia.
Burnham também assumiu compromissos de reduzir - e até erradicar - a falta de moradia, melhorar o cuidado com idosos e cumprir metas da Otan para gastos com defesa.
Uma fonte de receita deve vir dos bancos, beneficiados por juros mais altos, com expectativa de aumento do adicional sobre seus lucros. Outra possibilidade é elevar impostos sobre o setor de apostas.
Dívida segue como a principal restrição
O principal obstáculo para Healey é o mesmo enfrentado por sua antecessora, Rachel Reeves: o elevado endividamento do país.
Embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenha sinalizado recentemente aprovação à trajetória das contas públicas, a dívida do Reino Unido ultrapassou 3 trilhões de libras pela primeira vez, consumindo 8% do gasto do governo com seu serviço.
Defesa deve ser ponto de atenção
Deve haver atenção especial ao que Healey disser sobre defesa, já que ele deixou o cargo de secretário de Defesa neste ano, em protesto contra a falta de recursos - movimento que aumentou a pressão sobre o antecessor de Burnham, Keir Starmer.
Para financiar novas medidas, Healey terá de encontrar recursos em outras frentes - por meio de aumento de impostos ou cortes de gastos - se quiser acalmar investidores do mercado de títulos. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
(Com Agência Estado)
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