Parte da pressão sobre o índice nesta sexta veio do petróleo, que recuou e pesou sobre a Petrobras. O barril do Brent, referência para a estatal, fechou cotado a US$ 103,87, queda de 0,91%. Com isso, as preferenciais da companhia cederam 0,23%, enquanto as ordinárias, 1,09%.
Os investidores também digerem o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira pelo governo, e o custo fiscal da medida a partir do ano que vem.
"O investidor está ainda calculando quanto isso vai custar para o governo. Existe cautela local com a eleição voltando à pauta, mas muito mais pelo viés fiscal do que pela eleição em si", diz a estrategista de ações da Nomad, Roberta Nossig.
O desempenho do mercado local também guarda relação com o movimento no exterior, menos propenso à tomada de risco, com as bolsas americanas encerrando o dia sem direção única e com movimentos contidos.
"Tivemos o corte da Selic pelo Copom Comitê de Política Monetária, mas também tivemos uma alta dos juros americanos pelo Federal Reserve, então é natural ver o investidor saindo um pouco de ativos de risco no ajuste", afirma o advisor sênior da Blue3 Investimentos, Gabriel Macarini.
O economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, cita a eleição apertada, o Bolsa Família e os juros mais altos lá fora como pano de fundo da correção, que bate nos pesos pesados do índice, conforme se viu nas quedas da Vale e dos bancos.
"Vejo a queda de hoje como um sinal de que o investidor está recalibrando preços diante de mais incerteza eleitoral, preocupação fiscal, juros globais menos favoráveis, dólar mais firme e pressão sobre Vale, Petrobras e bancos. É uma sessão de cautela e realização de lucro", diz.
(Com Agência Estado)
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