O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, próximo da mínima do dia, em 166.189,74 pontos. Perto do fim dos negócios, a piora do desempenho da Petrobras pesou sobre o índice. O giro financeiro, no entanto, foi fraco em relação à média, em R$ 25 bilhões, dando o tom do compasso de espera dos investidores no cenário local.
No exterior, as bolsas americanas tiveram forte queda, pressionadas pelo desempenho negativo das companhias ligadas à inteligência artificial. A vitória dos democratas no Congresso elevou a expectativa de maior fiscalização sobre o setor de inteligência artificial (IA). Com o controle da Câmara e do Senado, o partido ganha mais espaço para promover audiências e investigações sobre a expansão da tecnologia e, em particular, sobre a construção de data centers, em meio a preocupações com custos de energia e água e com a segurança da IA.
"Temos uma correção forte dos ativos do segmento de IA, que é um mercado que não temos no Brasil. Os EUA e o mundo, como Taiwan e Coreia do Sul, estão passando por uma grande queda de ativos associada ao risco de que a vitória democrata nos EUA possa representar um risco de continuidade de crescimento no setor", afirma o gestor e sócio fundador da Cardinal Partners, Marcelo Audi.
No exterior, o EEM (iShares MSCI Emerging Markets), maior ETF ligado às ações emergentes, teve baixa firme de 5,8% no dia. Os maiores pesos dentro do fundo são justamente de mercados expostos à tecnologia, como Taiwan e Coreia do Sul, que também tiveram perdas na última sessão.
Embora tenha resistido a um tombo mais forte por estar distante do "trade" de IA, profissionais de mercado ainda destacam que o cenário doméstico e as preocupações com o quadro fiscal explicam a dificuldade das ações brasileiras de voltarem a se recuperar. As atenções continuam voltadas para novos anúncios do governo para a agenda econômica a partir do ano que vem, especialmente em relação ao nome para o Ministério da Fazenda e às medidas necessárias para conter o endividamento do País.
No domingo, o presidente Lula deverá realizar um pronunciamento em cadeia nacional para tentar acalmar os ânimos dos investidores e indicar uma pacificação. O presidente deve falar que continuará perseguindo metas fiscais, ao mesmo tempo em que manterá compromisso com as promessas de campanha, conforme apurou o Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
"Se o governo surpreender e demonstrar uma agenda em linha com as expectativas do mercado, então poderemos ver uma valorização relevante para acontecer. Os preços seguem muito baratos, mas podem ser que fiquem mais. Acredito que tudo depende do plano econômico", afirma o head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier.
(Com Agência Estado)
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