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Economia Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026, 18:00 - A | A

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Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026, 18h:00 - A | A

Taxas de juros caem, mas curva inclina após comunicação menos conservadora do Copom

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Os juros futuros acentuaram o ritmo de queda ao longo da tarde desta quinta-feira, 5, seguindo uma ligeira melhora no cenário externo, na esteira de acomodação nos ganhos do petróleo. A devolução, porém, foi mais intensa nas taxas curtas do que nas longas, o que conferiu leve ganho de inclinação à curva a termo. Embora o comunicado de quarta-feira do Comitê de Política Monetária tenha sido considerado neutro, trechos 'dovish' indicaram, na visão do mercado, que o Copom não está disposto a elevar a Selic no curto prazo. Assim, a expectativa de juros mais elevados à frente se manteve, sustentada também pelo prêmio de risco fiscal.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 cedeu de 14,433%, no ajuste da véspera, a 14,310%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 14,834% a 14,680%, e o DI para janeiro de 2031 anotou queda de 15,06% a 14,935%.

Após manter a Selic em 13,75%, o Copom evitou dar sinalizações sobre os próximos passos, ao não decretar o fim do ciclo de cortes, nem caracterizar a decisão como uma pausa. Por outro lado, a menção a uma desaceleração mais significativa do nível de atividade e ao nível "substancialmente contracionista" do juro básico foram lidos como elementos 'dovish' da comunicação, afastando hipóteses de alta dos juros.

Justamente devido a esses dois trechos, a leitura do comunicado foi mais para o lado 'dove', afirmou um trader à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), sob anonimato, deixando a curva com um formato mais "empinado". Ele ainda observa que o nível atual das taxas, após a expressiva reprecificação da curva em reação à reeleição inesperada de Lula, também explica "parcela relevante" da inclinação. "Lá fora está corrigindo, o Brent caiu bem, e aqui a turma busca um pouco de prêmio", resumiu.

Apesar de terem avançado ao redor de 3% nesta quinta, as cotações do Brent futuro se mantêm próximas do menor nível em dois meses e abaixo de US$ 100, apoiadas em expectativas de que a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato possa alterar a estratégia do governo Trump para o conflito no Irã.

Economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano afirma que, com o petróleo dando algum alívio, a urgência de aumento nos juros foi retirada, mas a preocupação com o quadro fiscal doméstico continua relevante, mantendo o formato inclinado da curva de DIs.

Nesta tarde, o presidente Lula se reuniu com ministros, ex-ministros, ex-integrantes do governo e economistas para discutir diagnósticos sobre a economia. O encontro teve a presença de nomes como o ex e o atual presidentes do BNDES, Luciano Coutinho e Aloizio Mercadante, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e os titulares atuais da Fazenda e do Planejamento, Dario Durigan e Bruno Moretti.

Segundo agentes, a reunião foi totalmente ignorada pelos investidores, sem fazer preço nos ativos domésticos, uma vez que propostas concretas não foram debatidas. "O mercado acompanha essas conversas, mas o que realmente tende a fazer preço são as propostas e sinalizações que podem sair dali, principalmente quando envolvem a questão fiscal", afirmou o analista de renda fixa da Manchester Investimentos, Gustavo Danilo.

Segundo Danilo, mesmo com algum alívio nas expectativas de juros após o Copom, o mercado continua exigindo um prêmio elevado para carregar risco Brasil no longo prazo, o que ajuda a explicar a leve inclinação da curva observada nesta quinta.

No fim da tarde, a curva de juros precificava cerca de 70% de chance de manutenção da Selic em dezembro, ante 30% de alta de 25 pontos-base. Para as reuniões de janeiro e março de 2027, as probabilidades de alta sobem a 80% e 90%, respectivamente. A taxa terminal do próximo ano está em 15%. Os cálculos são do Bmg.

(Com Agência Estado)

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