O resultado reforça sinais de perda de fôlego da atividade industrial em meio ao ambiente de juros elevados, avanço das importações e aumento do custo de produção, segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko.
"A indústria vem andando de lado e isso se deve, principalmente, a três fatores: o patamar elevado dos juros e seus desdobramentos sobre a atividade econômica, agravados pelo alto endividamento das famílias e das empresas; o avanço expressivo dos custos de produção; e a forte entrada de produtos importados. Nesse contexto, é mais difícil que as indústrias consigam repassar o aumento dos custos para seus preços em função da concorrência com as importações, de modo que as margens são comprimidas", afirma Nocko em nota.
Apesar de o faturamento ter avançado 0,8% em junho na comparação com maio, o desempenho não foi suficiente para reverter o desempenho menos forte no restante do semestre.
Outros indicadores também apontam para uma desaceleração da atividade. O número de horas trabalhadas na produção recuou 1,1% nos seis primeiros meses do ano, frente ao mesmo período de 2025, enquanto o emprego industrial teve queda de 0,6%.
A utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria caiu de 77,4% para 76,8% em junho. Na média do primeiro semestre, o indicador ficou 1 ponto porcentual abaixo do observado em igual período do ano passado, sugerindo menor pressão sobre o parque produtivo.
Já os dados do mercado de trabalho apresentaram sinais mistos, segundo a CNI. Embora o emprego tenha recuado no acumulado do semestre, a massa salarial real cresceu 0,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. Já o rendimento médio dos trabalhadores da indústria avançou 1,4% na mesma base de comparação.
(Com Agência Estado)
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