Caso o petróleo siga no nível de US$ 80 por barril, pode vir a tirar até 0,4 ponto porcentual (pp) para o Produto Interno Bruto (PIB) global, trazendo um impacto baixista para o crescimento doméstico de 0,2 pp, calcula o Bradesco, em relatório a clientes.
Em termos de resultado primário, o impacto seria de alta de 0,3pp caso o dólar fique no nível de R$ 5,30 e o petróleo a US$ 80 por barril, visto que o preço da commodity tem um impacto relevante via receitas do governo. "Os impactos imediatos se dão pelos dividendos da Petrobras, impostos sobre combustíveis e royalties de petróleo. Além destes, há propagação adicional via imposto de renda de empresas ligadas ao setor", afirma.
Já o efeito sobre as contas externas, via balança comercial, não é linear. "Embora os preços de importações e de exportação sejam altamente correlacionados com o preço internacional, efeitos sobre a quantidade variam de acordo com o preço. O preço de US$ 80 por barril leva a um incremento de US$ 11,0 bilhões na balança comercial e uma melhora do déficit em conta corrente de 0,4pp em porcentual do PIB", calcula.
Além disso, a balança comercial e a conta corrente brasileira se beneficiam de uma alta do petróleo, de modo que o real pode vir a performar melhor do que as demais moedas emergentes em um cenário de manutenção prolongada do risco geopolítico.
Quanto aos juros, o Bradesco considera que em situações como essa, a política monetária não deve responder a choques primários. "A autoridade monetária busca combater os efeitos secundários desse choque. A inflação no Brasil deve se aproximar da meta nos próximos meses, apesar de alguma desancoragem das expectativas de longo prazo, e a banda do regime de metas serve justamente para acomodar choques como esse", afirma.
(Com Agência Estado)
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