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Economia Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026, 21:30 - A | A

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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026, 21h:30 - A | A

Alguns investimentos esperam a definição das eleições, diz presidente da Stellantis

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A Stellantis, dona de marcas como Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot, aguarda definições sobre eleições, reforma tributária e regras de importação para decidir quais tecnologias receberão mais investimentos no Brasil. As possibilidades no radar vão da retomada de modelos movidos exclusivamente a etanol aos carros elétricos. A montadora quer, porém, mais clareza sobre quais soluções de descarbonização o País pretende abraçar e qual será a agenda do próximo governo.

Nesta quarta-feira, 12, em almoço com jornalistas, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander para a América do Sul, disse que, como em outros anos eleitorais, os projetos já anunciados seguem em andamento, mas novas decisões de investimento devem esperar o resultado das urnas e a definição das políticas - sobretudo industriais - a partir do ano que vem.

"Sempre que existe um período eleitoral, e uma incerteza em relação ao modus operandi no futuro, alguns investimentos acabam esperando a decisão de qual será o norte", afirmou Zola.

"Os investimentos que já estão em curso, não vão mudar. Agora, aquilo que depende de uma transparência maior em relação ao futuro, certamente precisa esperar uma definição mais clara do cenário eleitoral", acrescentou o executivo.

Uma das decisões mais relevantes, segundo o presidente da Stellantis, é se o governo vai endurecer as regras para a importação de carros eletrificados - um mercado hoje liderado por marcas chinesas. Com a alíquota de 35% cobrada de híbridos e elétricos que chegam ao País parcialmente montados, importar da China ainda é mais vantajoso do que produzir no Brasil, avaliou Zola. Carros elétricos chineses recebem alíquotas de 100% nos Estados Unidos.

"Se for mantido o modelo atual, com 35% de imposto, o cenário é pouco favorável à indústria nacional. Quem cresce são os chineses", declarou o executivo. "Se esse imposto aumentar, o modelo de localização se torna mais competitivo, e poderemos vislumbrar um cenário diferente", acrescentou Zola, que evitou responder qual alíquota estimularia a produção local.

As decisões de investimento da Stellantis, conforme seu presidente, também serão influenciadas pelo imposto seletivo. Criado pela reforma tributária e conhecido como "imposto do pecado", o tributo terá alíquotas que variam conforme as emissões dos automóveis - carros mais poluentes pagarão mais. Como os porcentuais ainda não foram totalmente definidos, segue incerto o impacto sobre a competitividade de determinados modelos.

Zola salientou que a Stellantis terá de se adaptar à rota tecnológica que o País escolher para preservar a liderança no mercado brasileiro. O grupo dispõe de um amplo leque de soluções - no Brasil, no exterior e em parcerias -, o que permitiria responder às preferências do consumidor. O pacote inclui a Leapmotor, marca chinesa que a Stellantis trouxe ao Brasil.

Segundo o presidente da Stellantis para a América do Sul, as mudanças no mercado exigem flexibilidade do grupo para, se necessário, cancelar lançamentos já previstos e acelerar outros que não estavam no plano original.

Zola falou com jornalistas em razão do lançamento, que acontece nesta noite, do Jeep Avenger, aposta da Stellantis para reagir ao espaço perdido no mercado de utilitários esportivos com o avanço das marcas chinesas e para elevar a utilização da fábrica de Porto Real, no sul do Rio de Janeiro, que vinha operando com apenas 40% da capacidade.

O executivo reconheceu que a renovação do portfólio da Jeep não avançou com a velocidade necessária para acompanhar a adoção de carros híbridos e elétricos, impulsionada pelos preços mais baixos das marcas chinesas e pela alta da gasolina com o choque do petróleo. Com o Avenger posicionado entre R$ 120 mil e R$ 145 mil, a montadora espera começar a virar o jogo.

"Não tenho dúvida de que o Avenger é uma arma poderosíssima para voltarmos a responder em um segmento onde perdíamos espaço", disse Zola.

Em modelos como a picape Strada, a van Fiorino e os hatches Argo e Mobi - além de algumas versões dos SUVs Pulse e Fastback -, a montadora, segundo o executivo, tem registrado demanda acima da capacidade de produção.

Contato: [email protected]

(Com Agência Estado)

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