O que mais pesou no balanço foi a já esperada baixa contábil (impairment) de US$ 110 milhões da Resia, empresa do grupo nos Estados Unidos que está sendo fechada. Essa divisão de negócios reportou a perda por causa da venda de empreendimentos e terrenos abaixo do valor patrimonial, em meio a uma piora do mercado por lá.
Esta foi a segunda baixa contábil reportada em MRV&CO. Há um ano, o grupo já havia comunicado um impairment de US$ 144 milhões no início do processo de venda dos ativos nos EUA.
"Vendemos em condições de mercado piores do que o imaginado", afirmou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da MRV&CO, Ricardo Paixão. "Não conseguimos recuperar valores com juros e despesas de projetos. Mas o racional aqui é sermos bastante pragmáticos, optando por vender abaixo do valor patrimonial para desalavancar mais rápido."
Outro ponto que pesou foi a linha maior com despesas financeiras, que consideram custos da dívida, cessão de recebíveis e contrato derivativo de ações (equity swap).
Já no critério ajustado (que exclui esses efeitos financeiros e não recorrentes), o resultado líquido consolidado chegou a um lucro de R$ 73,8 milhões.
A receita líquida consolidada somou R$ 2,99 bilhões no segundo trimestre, alta de 10,7% na mesma base de comparação anual. Essa subida foi puxada pelo desempenho da MRV, com aumento das vendas de imóveis, melhora da margem e evolução das obras.
As despesas operacionais consolidadas alcançaram R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, recuo de 18,9%. Dentro desta linha, as despesas comerciais totalizaram R$ 273,1 milhões (alta de 10,4%, acompanhando mais lançamentos e vendas), enquanto as despesas gerais e administrativas foram de R$ 158,8 milhões (crescimento de 1,2%).
O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas financeiras) gerou uma despesa líquida de R$ 393,2 milhões. Esse montante representou uma alta de 60% na comparação anual.
A geração de caixa ajustada e consolidada foi de R$ 70 milhões no segundo trimestre.
A dívida líquida consolidada chegou ao fim do segundo trimestre em R$ 5,9 bilhões. A companhia também informou que, com a venda de empreendimentos e terrenos da Resia, a dívida líquida consolidada vai cair para R$ 4,6 bilhões.
"Continuamos na linha forte de venda de ativos para reduzir o impacto no balanço, até chegar num ponto em que a operação Resia será descontinuada", acrescentou Paixão.
Unidades de negócios
A principal divisão de negócios, a MRV, teve lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões no segundo trimestre, alta de 28,2% ante o mesmo período do ano passado. A geração de caixa foi de R$ 148,7 milhões.
A margem bruta da MRV foi de 31,2%, expansão de 1,0 ponto porcentual, ajudada pelo aumento na receita e pela diluição de custos. A companhia tem subido o preço dos imóveis em ritmo igual ou superior à inflação com vistas a melhorar seu lucro. No trimestre, o preço médio dos apartamentos vendidos foi de R$ 271 mil, enquanto os lançamentos chegaram a R$ 277 mil.
Por outro lado, a MRV cancelou vendas de clientes inadimplentes no período, o que brecou temporariamente a trajetória de crescimento da margem bruta, cuja expectativa é subir para 35% no futuro.
A margem esperada com o resultado dos exercícios futuros (margem REF) bateu em 44%. "Como temos subido preço e controlado os custos, temos acumulado margem melhores. À medida em que esses empreendimentos mais novos contribuam com a receita dos próximos balanços, a margem bruta e a REF vão convergir", estimou o diretor financeiro.
A Resia teve prejuízo de US$ 117,4 milhões, perda 16,8% menor na comparação anual, impactada pelo impairment. Pela frente, há cerca de US$ 360 milhões em ativos restantes a serem vendidos, considerando um empreendimento próprio, participações e a fábrica de pré-moldados.
As outras duas empresas do grupo tiveram resultados mistos. A Luggo registrou prejuízo de R$ 9,9 milhões, enquanto a Urba teve lucro de R$ 800 mil no período.
(Com Agência Estado)
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