Copa Pantanal Quinta-feira, 07 de Abril de 2011, 15:54 - A | A

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MODELO DE GESTÃO

Guerra de bastidores marca aprovação de mudança na gestão na Agecopa

Sergio Ricardo tentou desarticular aprovação de projeto, mas erro estratégico da própria Agecopa colocou Riva na articulação em contrário

KLEBER LIMA / PAULO COELHO

 

Mauricio Barbant/AL
Riva se sentiu aviltado e entrou na articulação pela aprovação do projeto. Resultado: aprovado por unanimidade
Uma guerra de bastidores marcou a aprovação na noite desta quarta-feira (06.04), em segunda votação, do projeto de lei dos deputados Emanuel Pinheiro (PR) e Walter Rabello (PP) modificando o modelo de gestão da Agecopa, que a partir de agora deixa de ser um colegiado para ser uma diretoria Executiva. No final do dia, de duas sessões e de muita articulação, o projeto acabou sendo aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa.

Inicialmente a votação deveria acontecer somente na sessão ordinária desta quinta [07], mas foi antecipada em um dia, por um erro de cálculo da própria Agecopa, que desconsiderou articulações que vinham sendo feitas por deputados aliados, especialmente o primeiro-secretário da Casa, Sérgio Ricardo (PR), e convocou uma coletiva de imprensa para o meio da tarde com a finalidade de tentar demonstrar que a modalidade de transporte BRT (Ônibus de Transporte Rápido), proposta que seus diretores defendem, teria sido decida ainda no governo anterior de Blairo Maggi e Silval Barbosa.

O tiro saiu pela culatra, porque, ao misturar os temas de modelo de gestão e modelo de transporte, perdeu um aliado, já que o deputado José Riva (PP) - presidente da Assembléia Legislativa e claro defensor de outro modelo de transporte (o VLT ou mesmo o Monotrilho) - sentiu-se aviltado e entrou na guerra de articulação contra Sérgio Ricardo, que já havia conseguido reverter alguns votos em favor da derrubada do projeto de Pinheiro e Rabello.

Na sessão da manhã, Ricardo já tinha usado a Tribuna para defender a derrubada do projeto de mudança. Porém, enquanto ele fazia esse esforço na Assembléia, simultaneamente e sem ele saber, os diretores da Agecopa preparavam a coletiva da tarde, como uma estratégia de se contrapor à iminente votação.

Assim que as primeiras informações da coletiva foram publicadas a reação de Riva foi imediata, e bastante dura. Pelo twitter, Riva acusou Yênes Magalhães de “mentiroso”, palavra que repetiu depois da Tribuna da Assembléia. Sérgio Ricardo ainda tentou pedir vistas do projeto como medida protelatória da votação da noite, mas seus esforços foram em vão.

A proposta de mudança da Agecopa foi aprovada em primeira votação no último dia 24. Agora, segue para sanção do governador Silval Barbosa (PMDB), que na semana passada se comprometera com os deputados, durante reunião antes de viajar aos Estados Unidos, onde participa de conferências comerciais, que sancionaria o que fosse aprovada pelo Legislativo.

“Eu quero continuar acreditando naquele modelo de gestão que eu e a maioria dos deputados aqui votamos em 2009, com o sistema colegiado, pois os diretores que lá hoje estão já pegaram entrosamento e as obras já estão por começar”, disse Sérgio, sem em encontrar eco entre os colegas.

Na sessão da noite o parlamentar republicano voltou com o mesmo discurso, mas mais disposto ainda a inviabilizar a votação do projeto. Queria pedir vistas da matéria para, em tese, analisá-la e só devolvê-la na próxima semana. Porém, Ricardo foi demovido da ideia após investida nos bastidores de deputados que já haviam declarado voto pela aprovação e até do presidente da Casa, José Riva. Sem o pedido de vistas, só apelo do parlamentar não foi suficiente para impedir a aprovação.

Guilherme Filho/Secom/MT
Yênes ficou em situação difícil depois do confronto

Apenas uma emenda foi adicionada ao projeto. A que obriga a Agecopa a prestar contas quadrimestralmente à Assembléia Legislativa.

Mayke Toscano/Hipernotícias
A autarquia terá, assim, um presidente cujo nome ainda não foi escolhido pelo governador Silval Barbosa. Contudo, na bronca com o confronto, Riva já deixou claro que dificilmente aceitará Yênes no comando da autarquia. “Vou dizer ao governador que a Agecopa precisa de um presidente eficiente firme”, avisou ele, inclusive no Twitter.

Atualmente, neste modelo de gestão colegiada, preside a Agência Yênes Magalhães, que acumula também o cargo de diretor de planejamento desde a saída do ex-presidente da instituição, Adilton Sachetti, ocorrida em outubro do ano passado.

O deputado Emanuel Pinheiro comemorou muito a aprovação, dizendo que agora, com o novo modelo de gestão, será possível acelerar as ações com vistas à Copa de 2014. “Quem ganha com esse projeto é Cuiabá, que agora terá mais segurança que a copa de fato vai acontecer”, frisou.

Já o co-autor do projeto, Walter Rabello, frisou que “depois de 20 meses da criação da Agecopa ainda não se viu um uma estaca fincada” em termos de obras de mobilidade, por exemplo, e que agora, com a mudança na lei, “poderemos inclusive cobrar mais e exigir resultados, até porque o tempo está passando, podendo até comprometer a entrega dessas obras”.

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Gabriel Fagundes 07/04/2011

O problema da Agecopa não é somente de gestão é, principalmente, de qualificação dos seus diretores. Ao analisarmos o perfil de cada um deles e se verá a inaptidão de todos para as pesadas e complexas tarefas a que estão obrigados por dever de ofício.

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