Copa Pantanal Sexta-feira, 02 de Setembro de 2011, 22:50 - A | A

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MODAL DE TRANSPORTES

Carlos Brito enfrenta Eder Moraes e revela que nem diretores da Agecopa conhecem projeto do VLT

Clima ficou tenso durante audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa nesta sexta (02). Promotor Domingos Sávio e empresário Aldo Locatelli também marcaram posições fortes durante evento. Riva avalia que audiêcia foi positiva e cumpriu papel

DA REDAÇÃO

 

Mauricio Barbant/AL

Para José Riva, presidente da Assembleia, audiência cumpriu o papel de debater o assunto

 

Uma nova crise foi desencadeada no governo durante a audiência pública realizada nesta sexta (02) pela Assembleia Legislativa para discutir a viabilidade dos modais de transporte Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e Bus Rapid Transit (BRT) para ser implantado em Cuiabá e Várzea Grande para a Copa do Mundo de 2014. O presidente da Agecopa, Éder Moraes, e o diretor da Agência, Carlos Brito, protagonizaram um bate-boca. Não é a primeira vez que os dois trocam farpas publicamente.

O discurso do diretor de infraestrutura da Agecopa Carlos Brito desagradou ao presidente da Agência. Brito, na sua fala, citou que a audiência para discutir os modais era esclarecedora por não ter conhecimento, em termos de Agência, sobre o VLT. Ele disse ainda não se opor a este modal até por não conhecer o projeto.

Após as exposições técnicas e dos demais cidadãos sobre as impressões dos modais, Éder foi o último a discursar. Ele fez um contraponto à fala de Brito e disse que como presidente da Agecopa tem poder absoluto. Moraes deixou claro ainda que são decisões estratégicas, por isso pode se resguardar destas informações.

Mesmo durante as falas, Eder se mostrava inquieto. Ele é favorável ao VLT. Ainda sobre Brito, o presidente disse que o diretor era um ex-secretário de Segurança Pública frustrado. Também tachou Brito de irresponsável por conta da sua declaração de não conhecer projeto em termo de Agência.

Brito – sentindo-se ofendido - pediu a palavra para fazer a réplica. O presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PP), tentou apaziguar os ânimos. “Você é um déspota”, retrucou Brito, enquanto Eder prestava suas informações. O clima entre os dois ficou tenso.

Apesar do episódio, Riva disse que a audiência foi proveitosa. “O bate-boca foi muito pequeno e é melhor não valorizar isso”, afirmou o parlamentar usando do argumento de que a audiência foi muito maior do que este pequeno imbróglio.

Brito e Eder já tiveram outros desentendimentos públicos por questões da Agecopa, que foram depois apaziguados também publicamente. Um contraponto que Brito tem feito é que não vai pecar por omissão. “Não adianta falar de transparência, tem que praticá-la”, pontua o diretor de infraestrutura.

O clima entre Eder e diretores não é um dos melhores. Ao tomar posse na presidência, no primeiro semestre deste ano, ele proibiu qualquer diretor de prestar declaração, salvo com a sua autorização. Há também uma reclamação de que o governador Silval Barbosa não tem conversado com os diretores, apenas com o presidente da Agência.

Outro embate na audiência - porém com um enfoque descontraído – foi o fato do promotor Domingos Sávio, que se mostrou favorável ao BRT. A defesa dele é que este modal tem um custo menor. "Eu também gostaria de ter uma BMW, como a do presidente da Agecopa, mas não posso, porque meu salário não dá. Então tenho um Corolla", brincou. Eder não gostou e também retrucou, esclarecendo que o seu patrimônio não foi construido agora. (Informações do Diário de Cuiabá).

REPERCUSSÃO

A audiência pública terminou por volta das 20h00. Após as exposições técnicas, 32 pessoas inscritas tiveram direito a fala, com três minutos de tempo cada uma. Além de Brito e Domingos Sávio, o presidente do Sindpetróleo, Aldo Locatelli - outro inimigo público de Eder Moraes -, também fez uma fala dura cobrando a falta de informações a respeito dos modais, especialmente a diferença de custos anunciados pelos defensores do VLT, que variam de R$ 700 milhões a R$ 1,1 bilhão.

Um dos dieretores da Agecopa falou in off (com a condição de não ter seu nome revelado) com HiperNoticias, e analisou que depois do enfrentamento entre Eder e Brito nesta sexta, a Agecopa não será mais a mesma. "Mesmo estando hoje sob o presidencialismo, algo vai mudar na relação inerna da Agecopa. Abriu-se uma guerra. Vamos ver na segunda-feira", disse. O diretor concorda que Eder age com muita centralização e autoritarismo, sem compartilhar nenhuma informação estratégica com os demais diretores. De certa forma, ao denunciar o "despotismo" de Eder, Carlos Brito o fez em nome de todos os diretores.

REPRESENTATIVIDADE

Embora não estivesse plenamente lotada, a audiência pública foi o evento mais representativo das discussões sobre o modal de transporte até aqui, uma vez que, além de deputados, membros do judiciário, ministério público, diretores da Agecopa, entidades populare e empresariais, os prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande, respectivamente Chico Galindo e Tião da Zaeli, participaram do evento durante algum tempo.

Para José Riva, presidente da Assembleia e autor do requerimento da audiência, o evento cumpriu seu papel e foi oportuno. “É neste sentido que oportunizamos essa discussão sobre mobilidade urbana. Há discussão sobre os dois moldais: BRT (Bus Rápido Transit) / Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Queremos ouvir as vantagens e desvantagens de cada modelo. A minha preocupação é que, se perdermos essa oportunidade, não teremos outro momento como esse. Acredito que o VLT é o melhor, mais ágil, ambientalmente correto e que demanda menor número de desapropriações”, declarou Riva.

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