O fortalecimento do El Niño deverá provocar um cenário de chuvas desiguais em Mato Grosso nos próximos três meses, com precipitações abaixo da média histórica no norte do estado e volumes acima do normal na região sul. A previsão consta no boletim de outubro do Painel El Niño 2026–2027, que também aponta temperaturas elevadas e possíveis impactos na agricultura e nos níveis dos rios entre novembro deste ano e janeiro de 2027. No nordeste e sudoeste mato-grossense, a menor disponibilidade de água no solo poderá comprometer o desenvolvimento inicial das lavouras, enquanto o excesso de chuva no sul pode dificultar atividades agrícolas.
De acordo com o levantamento, a previsão climática elaborada pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indica precipitações inferiores à média no norte de Mato Grosso, enquanto o sul deverá receber acumulados superiores aos padrões históricos. Nas demais áreas do estado, a tendência é de volumes próximos da normalidade, embora existam diferenças entre os modelos de previsão utilizados.
As temperaturas também deverão permanecer acima da média climatológica em grande parte do território mato-grossense. Na porção sul, entretanto, há possibilidade de condições mais próximas dos valores habituais, em contraste com o calor previsto para outras regiões.
A distribuição irregular das chuvas poderá afetar diretamente a produção agrícola. Conforme a análise agrometeorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o nordeste e o sudoeste de Mato Grosso apresentam risco de menor disponibilidade hídrica durante o início do trimestre, situação que poderá prejudicar a germinação e o desenvolvimento inicial de culturas agrícolas.
O cenário exige atenção especialmente no período de implantação das lavouras, quando a umidade do solo é fundamental para o estabelecimento das plantas. A previsão de temperaturas elevadas, associada a chuvas insuficientes em algumas localidades, poderá aumentar as dificuldades enfrentadas pelos produtores.
Por outro lado, o sul de Mato Grosso deverá apresentar condições mais favoráveis à recuperação da umidade do solo. Segundo o boletim, os acumulados de chuva acima da média, principalmente em dezembro e janeiro, tendem a beneficiar o estabelecimento das culturas, a floração e o enchimento de grãos da soja, além do desenvolvimento do milho e da recuperação das pastagens.
Entretanto, as precipitações em excesso também podem representar riscos. O levantamento aponta possibilidade de encharcamento de áreas de pastejo, aumento da incidência de doenças fúngicas e dificuldades para a realização de operações agrícolas em períodos de chuva mais intensa.
Além dos impactos na produção rural, o fenômeno poderá influenciar o comportamento dos rios que atravessam Mato Grosso. As projeções hidrológicas indicam risco de estiagem na bacia do rio Araguaia durante novembro, com tendência de diminuição a partir de dezembro, acompanhando o avanço gradual do período chuvoso.
Na região do alto rio Paraguai, que integra o sistema hidrográfico do Pantanal, as previsões apontam vazões acima da média e maior risco de cheias entre novembro e janeiro. O cenário reforça a necessidade de acompanhamento dos níveis dos rios, principalmente diante das diferenças de precipitação previstas entre as regiões do estado.
Embora o boletim indique volumes de chuva abaixo da média em determinadas localidades, os meteorologistas ressaltam que isso não significa ausência de temporais. A combinação entre calor e disponibilidade de umidade poderá favorecer tempestades isoladas, mesmo em áreas onde o acumulado total de precipitação fique abaixo dos padrões históricos.
O comportamento esperado para os próximos meses está associado à intensificação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o documento, a agência norte-americana NOAA identificou anomalias positivas superiores a 3°C em áreas de referência do oceano durante outubro.
As projeções indicam que o fenômeno deverá permanecer ativo até pelo menos o primeiro trimestre de 2027, com intensidade forte a muito forte, seguido de enfraquecimento gradual nos meses posteriores. Mesmo após a redução do aquecimento oceânico, os efeitos sobre a circulação atmosférica poderão persistir e continuar influenciando os padrões de chuva e temperatura.
O levantamento reúne informações do Inmet, Inpe, Censipam, Cemaden, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e demais instituições federais responsáveis pelo acompanhamento dos efeitos do El Niño no Brasil.
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