O projeto social Cozinheiros do Bem, que distribui refeições a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade em Porto Alegre (RS), perdeu doações de empresários após a eleição presidencial e virou alvo de provocações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O fundador da iniciativa, o chefe Júlio Ritta, afirmou que parte dos apoiadores suspendeu as contribuições por causa da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Ritta, alguns doadores comunicaram que não ajudariam mais o projeto em razão do resultado das urnas. Outros sugeriram que ele procurasse o presidente eleito para conseguir recursos. Em 28 de outubro, o chefe publicou uma mensagem recebida pelo WhatsApp em que o remetente ofendia eleitores de Lula e dizia que eles mereciam passar ainda mais fome.
A mensagem também ironizava a possibilidade de o projeto buscar ajuda do novo governo. Rita respondeu que a distribuição de alimentos não depende da orientação política de quem recebe as refeições e que o objetivo da iniciativa é atender pessoas que enfrentam a fome.
A discussão ganhou repercussão depois que Nicolas Ferreira compartilhou, em 29 de outubro, um vídeo do fundador do projeto nos stories do Instagram. O deputado ironizou a perda de patrocínios e questionou por que a iniciativa deveria continuar recebendo contribuições de pessoas que, segundo ele, teriam sido chamadas de extremistas, fascistas e genocidas.
O parlamentar também publicou uma reflexão religiosa sobre as motivações de quem pratica ações de caridade. Ritta reagiu às publicações e voltou a defender a continuidade do trabalho, independentemente de divergências ideológicas.
No domingo (1º), o chefe publicou um vídeo de uma ação realizada no viaduto da Conceição, em Porto Alegre. Nas imagens, mostrou a preparação e a distribuição de refeições para mais de 500 pessoas e voltou a provocar o deputado.
"Vocês acharam que iam derrubar, hein, ô seu moleque?", disse Rita. O cardápio servido incluía risoto à parisiense, picanha ao molho, tomate-cereja, alface e suco.
Durante a gravação, o fundador também questionou o papel da religião diante da fome e da vulnerabilidade social. Ele reiterou que o Cozinheiros do Bem não tem como finalidade defender posições políticas, mas garantir alimentação a quem precisa.
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