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Cidades Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026, 19:35 - A | A

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HNT ENTREVISTA

Após burnout, empresária de Cuiabá transforma crise em projeto social: "é um aprender fazendo"

Sheila Zanchet conta como o esgotamento mudou sua rotina e a levou fundar o Instituto Sow que está presente em 35 bairros da Capital de MT

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM SHEILA ZANCHET

Durante anos, a empresária e empreendedora social Sheila Zanchet manteve uma rotina intensa. Os dias começavam às 5h30 e terminavam tarde, divididos entre filhos, marido, casa, empresa, igreja e projetos sociais. Até que o corpo começou a dar sinais de que era preciso parar: vieram as tonturas, os esquecimentos e uma apatia que fez com que ela deixasse de sentir até mesmo aquilo que antes fazia parte de sua personalidade.

"Não existia mais alegria e nem tristeza, tanto fazia", contou Sheila ao HNT Entrevista.

A mudança chamou a atenção do marido, que percebeu que havia algo errado. Depois de procurar atendimento médico, veio o diagnóstico de burnout. Para ela, foi como “perder o chão”. 

O desejo do meu coração é marcar vidas

A experiência, porém, acabou se tornando também um ponto de transformação. Sheila conta que, anos antes, havia começado a se aproximar do trabalho social depois que o marido adoeceu. Assim nasce o Instituto Sow, em 2017.

A inspiração para dedicar tempo aos outros surge quando Sheila visita a casa de uma menina de 12 anos que havia sofrido um acidente vascular. Enquanto o marido de Sheila recebia tratamento e tinha uma estrutura de apoio, ela encontrou uma família desamparada. A mãe precisou permanecer ao lado da filha e o pai deixou o emprego para cuidar dos outros três filhos.

"Eu não tenho dinheiro para arrumar tudo, mas eu tenho amigos para ligar e pedir", lembra Sheila.

Não existia mais alegria e nem tristeza, tanto fazia

Foi assim, segundo ela, que começou o que define como um "aprender fazendo". Sheila passou a mobilizar amigos, empresários e voluntários para arrecadar recursos e atender famílias que precisavam de ajuda. O trabalho, que começou de maneira improvisada, ganhou estrutura e se transformou em uma atuação permanente.

Daniel Souza/TV HNT

Sheila Zanchet

A empresária e fundadora do Instituto Sow, Sheila Zanchet, no HNT Entrevista.

Atualmente, o Instituto Sow atua em 35 bairros, com ações voltadas, principalmente, a crianças. O trabalho envolve atividades realizadas em parceria com voluntários e também assistência às famílias, com apoio em demandas como exames e medicamentos, conforme a disponibilidade de recursos. O instituto funciona por meio de doações de empresários e pessoas que se mobilizam para as ações.

Para Sheila, o trabalho social também acabou sendo uma forma de reconstrução pessoal. Depois do diagnóstico de burnout, ela percebeu que aquilo que antes era apenas uma atividade paralela passou a ocupar um espaço central em sua vida. "O Instituto Sou vem para curar. Primeiro ele me cura no momento de muita dor. Eu saio daquilo e começo a me doar", afirmou.

A empresária afirma que a transformação acontece nos dois lados. Ao mesmo tempo em que as ações buscam melhorar as condições de vida das crianças e das famílias atendidas, ela própria encontrou um novo sentido para sua trajetória. Para Sheila, olhar para o outro sem esperar algo em troca foi fundamental para ressignificar a experiência que viveu.

FESTA NA VILA

Entre as principais ações do instituto está o evento que reúne centenas de crianças em um único dia. Segundo Sheila, a próxima edição está prevista para 17 de outubro, no espaço Meninos da Vila, e deve receber 630 crianças. A proposta é oferecer uma experiência diferente da rotina dessas crianças e criar memórias positivas em meio aos desafios enfrentados diariamente.

O que a gente vai semear aqui é o que fica

A mobilização envolve 39 coordenadores e cerca de mil pessoas no espaço durante o evento, de acordo com Sheila. O trabalho é realizado por voluntários, sem funcionários contratados, e exige uma operação que começa antes do evento, com cadastramento das crianças, autorização das famílias, organização das rotas e transporte.

Mais do que proporcionar um dia de lazer, Sheila diz que o objetivo é deixar uma marca na vida das crianças. Ao longo dos anos, ela afirma ter acompanhado mudanças no comportamento de algumas delas, inclusive no olhar e na maneira de interagir.

"Eu tenho feito pouco, não é muito que a gente faz, é pouco. Mas o desejo do meu coração é marcar a vida delas, deixar um legado, porque a vida passa. E o que a gente vai semear aqui é o que fica", concluiu. 

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