Os motoristas de Cuiabá ainda não têm garantia de alívio imediato no preço dos combustíveis, apesar das novas medidas anunciadas pelo Governo Federal para conter os efeitos da alta internacional do petróleo. A redução de tributos sobre gasolina e etanol e a nova subvenção para o diesel começaram a valer nesta quinta-feira (10), mas os preços praticados nas bombas da Capital permanecem próximos dos patamares registrados antes das medidas.
O último levantamento semanal oficial da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado entre 30 de agosto e 5 de setembro, apontou preço médio de R$ 6,97 para a gasolina comum em Cuiabá, R$ 3,97 para o etanol hidratado e R$ 6,82 para o diesel S-10. A pesquisa considerou 19 postos para gasolina e etanol e nove para o diesel S-10.
Nos dias seguintes, porém, os valores encontrados em postos da Capital chegaram a patamares superiores. Em 8 de setembro, antes da entrada em vigor das novas medidas, havia registro de gasolina comum a R$ 6,99, etanol a R$ 4,19 e diesel S-10 a R$ 7,69.
O cenário torna mais complexa a expectativa de queda nas bombas. O governo federal reduziu em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina e zerou a cobrança dessas contribuições sobre o etanol hidratado, o que representa uma redução tributária de R$ 0,19 por litro. Para o diesel rodoviário, foi autorizada uma subvenção inicial de R$ 1 por litro, que se soma ao mecanismo de subsídio já existente. As medidas são temporárias e podem ser alteradas de acordo com as condições do mercado.
A redução dos tributos, no entanto, não representa necessariamente uma queda do mesmo valor no preço pago pelo consumidor. O valor final dos combustíveis é formado por diferentes componentes, incluindo preço de aquisição do produto, custos de transporte, mistura obrigatória de biocombustíveis, margens de distribuição e revenda e tributos estaduais.
Além disso, a alta da cotação internacional do petróleo continua pressionando o mercado. O barril do Brent voltou a superar os US$ 100 nesta semana, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis e pode limitar o efeito das medidas de redução tributária sobre o consumidor.
A própria Petrobras cancelou nesta quinta-feira (10) um reajuste de R$ 0,19 por litro da gasolina A que havia sido anunciado no dia anterior. Com a mudança, o preço de venda da gasolina às distribuidoras foi mantido em R$ 3,05 por litro. Segundo informações divulgadas sobre a decisão, a alteração ocorreu após o governo substituir o mecanismo anterior de subsídio por uma redução de R$ 0,63 nos tributos federais.
Para o Sindipetróleo-MT, que representa os revendedores de combustíveis, o comportamento dos preços precisa ser analisado considerando toda a cadeia de comercialização. O sindicato afirma que os postos representam apenas a etapa final desse processo e não definem isoladamente o preço cobrado ao consumidor.
“O preço final envolve aquisição do produto, fretes, mistura obrigatória, custos operacionais, margens de distribuição e revenda, além dos tributos estaduais. Por isso, uma alteração tributária não significa, necessariamente, uma redução automática e uniforme nas bombas”, afirma o presidente da entidade, Kaká Alves.
Em Mato Grosso, o efeito sobre o consumidor ganha importância adicional devido ao peso do transporte rodoviário na economia. A alta do diesel, em particular, pode aumentar os custos de frete e pressionar preços de produtos e serviços que dependem do transporte de cargas.
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