Terça-feira, 28 de Julho de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Brasil Terça-feira, 28 de Julho de 2026, 19:30 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Terça-feira, 28 de Julho de 2026, 19h:30 - A | A

Promotores denunciam quatro por plano do PCC para fazer de Lincoln Gakiya 'cadáver excelente'

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça quatro acusados de integrar plano do PCC para eliminar dois desafetos da facção, o promotor Lincoln Gakiya e o diretor de presídios Roberto Medina. Segundo a denúncia, que ocupa 82 páginas e é subscrita por seis promotores do Gaeco - grupo que combate o crime organizado - os suspeitos se empenharam meticulosamente no levantamento da rotina de Gakiya e Medina na região de Presidente Prudente, interior do Estado.

O objetivo era passar os dados para a Sintonia Restrita, instância do PCC que cria cadáveres excelentes - vítimas notórias da organização, como o ex-delegado-geral de Polícia, Ruy Ferraz Fontes, assassinado na Praia Grande em outubro do ano passado.

A acusação implica em organização criminosa armada Victor Hugo da Silva, o VH ou Falcão, Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o Corinthinha ou Maurício, Sérgio Garcia da Silva, o Messi, e Adilson Audinir Oliveira Júnior, o Ju Machado. Desde junho de 2025, o grupo monitorou Lincoln Gakiya e Medina.

Junto à acusação formal, o Ministério Público requereu a prisão preventiva de dois investigados que estão foragidos, VH e Ju Machado. Em liberdade, eles poderão dar plena continuidade no levantamento dos hábitos de seus alvos e fornecimento das informações à Sintonia Restrita para que sejam efetivados os atentados contra a vida de agentes públicos. Os promotores pedem que o grupo seja colocado sob Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). "Evidente a necessidade de se resguardar a ordem pública", alertam.

A força-tarefa de promotores do Gaeco anota que o PCC é a maior organização criminosa em atuação no País, contando com cerca de 40 mil integrantes em todo Brasil e também espalhados por mais 28 países. "Sua estrutura demonstra claramente o alto número de pessoas que integram tal facção criminosa e que, além disso, ela é ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, uma vez que, com a reunião de todos os líderes no mesmo estabelecimento prisional, Marcos Willian Herbas Camacho, vulgo Marcola, solidificou seu prestígio e liderança à frente da facção, designando seus homens de confiança para compor com ele o primeiro escalão da organização criminosa, a Sintonia Final Geral."

A investigação mostra que Messi atuou como executor de levantamentos criminosos em Presidente Prudente, em especial da rotina de Lincoln Gakiya, com indicativos de atuação estratégica junto à organização criminosa, envolvimento em tratativas sobre armas de fogo de alto poder lesivo, manutenção de contatos sensíveis com outros integrantes da facção, utilização de linha vermelha e tentativa de destruição de provas digitais - após sua prisão, por meio das mensagens das cartas.

Com os suspeitos, policiais militares do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia encontraram roteiros que mantêm relação direta com os trajetos recorrentes de Lincoln Gakiya e seus familiares. O achado evidenciou que os faccionados já se haviam certificado de trechos do itinerário e proximidades com endereços residencial e profissional do promotor e de sua família.

A denúncia mostra que os mapas obtidos no celular de Messi são recortes do itinerário de Lincoln Gakiya. "Os mapas retratam locais que podem ser usados como pontos de observação para ataque dirigido à referida autoridade pública", diz a denúncia em alusão ao promotor jurado de morte pelo PCC.

Também foram coletados prints de mapas de georreferenciamento, indicando localizações precisas em Presidente Prudente, como a sede do Ministério Público de Presidente Prudente, local de trabalho de Gakiya.

Foram colhidos prints, vídeos e áudios do celular de Messi que mostram a negociação de fuzis, a realização de transações em espécie, pagamento por meio da entrega de uma pistola e a traficância de drogas. "Tais atividades são típicas do Primeiro Comando da Capital e a relação com o armamento reforça a elaboração do plano de atentado em detrimento de autoridade pública."

A análise dos dados telemáticos reforça a existência de vínculos operacionais e de comunicação consistentes entre VH e Cotinthinha, revelando atuação coordenada e divisão de tarefas, especialmente no que se refere à atividade de monitoramento direcionado a autoridades públicas, aponta a denúncia.

Os levantamentos dos costumes do promotor e do diretor de presídios foram efetuados por meio de fontes abertas, ações presenciais reiteradas, consistentes em captação de imagens e gravações, registros de placas veiculares, mapeamento de rotas e avaliação de sistemas de vigilância. Para os promotores que assinam a denúncia, tais condutas evidenciam um nível elevado de planejamento e cautela, incompatível com atividades fortuitas ou meramente curiosas.

O conteúdo telemático extraído dos celulares de VH e Corinthinha evidenciou que o levantamento abrangeu Roberto Medina e sua mulher. Um dos faccionados compareceu ao local de trabalho dela, um prédio público do Poupatempo, e fez filmagens e pesquisas do carro por ela utilizado.

Victor Hugo, o VH ou Falcão atuou como executor operacional do levantamento em Presidente Venceslau, responsável por fazer a vigilância móvel e presencial, captar imagens, áudios, vídeos, placas de carros, trajetos e referências geográficas, em especial de Medina e de sua família. Ele também remeteu essas informações ao superior/coordenador identificado como Corinthinha.

Levantamento de criminoisos incluiu imagens de placas de veículos

A quebra do sigilo de comunicações de VH e Corinthinha colocou à mostra mensagens que descrevem levantamentos detalhados dos alvos, inclusive o imóvel de Roberto Medina, diretor regional da Croeste (Coordenadoria Oeste dos Presídios). VH envia imagens contendo o registro das placas pertencentes a automóveis estacionados em frente ao imóvel relacionado a Roberto Medina.

"Há troca de mensagens na qual se observa o cuidado do denunciado Victor Hugo em razão do receio quanto a câmeras de segurança nas imediações do imóvel monitorado, bem assim há relatos de movimentações nas proximidades do imóvel (saída de veículo do imóvel, passagem de viatura policial)", pontua a denúncia.

Outro trecho da acusação destaca que VH enviou vídeo no qual realiza o trajeto utilizando uma motocicleta (apreendida nas diligências de busca), partindo das imediações da Penitenciária I de Presidente Venceslau/SP até o endereço de Medina. Ele narra o trajeto citando referências visuais e nomes de vias, demonstrando conhecimento prévio da região e preocupação em instruir o interlocutor.

Ficou comprovado que VH esteve em Presidente Venceslau, nas imediações da penitenciária e do Poupatempo, locais de trabalho de Medina e de sua mulher, conforme pontos de geolocalização extraídos de seu dispositivo eletrônico. O suspeito manipulou arquivos contendo pesquisa individualizada referente aos caracteres da placa do veículo usado pela mulher do diretor de presídios.

"Victor Hugo, por meio de aplicativos de georreferenciamento, produziu vídeo com sobreposição de mapas e imagens, detalhando o caminho", diz a denúncia. "Identificou ruas, rotatórias, praças e marcos visuais até chegar ao destino (moradia da vítima), demonstrando preparo técnico e finalidade estratégica."

Cachorro na calçada

Em certa ocasião, no dia 26 de junho do ano passado, VH usou um cachorro que estava na calçada para justificar a permanência nas proximidades do endereço de Medina e realizar a coleta de imagens. Na ocasião, ele perguntou a um vizinho se o animal está perdido, dissimulando o real motivo de sua presença no local. Um áudio transcrito nos autos indica a preocupação de VH para que não seja identificado enquanto colhe as informações sobre a vida da vítima, evitando ser filmado pelas câmeras de segurança instaladas no entorno.

A conduta de Victor Hugo foi o ponto de partida para a investigação. No dia 28 de julho de 2025, por volta das 17h25, policiais militares faziam patrulhamento na rua Joaquim Marques Caldeira, cruzamento com a rua Ermínio Terim, quando observaram um motociclista que, ao avistar a viatura, apresentou comportamento suspeito. Os agentes o abordaram e o identificaram como Victor Hugo da Silva.

Durante revista pessoal, os policiais encontraram dois invólucros plásticos contendo pedras de crack totalizando 9,08 gramas, além de um aparelho celular marca Xiaomi Poco, cor preta, e R$ 9,30.

A diligência prosseguiu com a apreensão de 234 pedras de crack, porções de cocaína, sacos plásticos para fracionamento, e R$ 50 em notas diversas relacionadas a Gabriel Custódio dos Santos, o Índio, que admitiu a propriedade dos entorpecentes e que os comercializava. VH foi autuado por tráfico de drogas.

A Polícia requereu a quebra de sigilo de dados do aparelho celular apreendido em poder de Victor Hugo, já que havia fundada suspeita de que ele armazenava material de interesse investigativo. O pedido foi autorizado judicialmente. A extração de dados e o exame técnico preliminar do conteúdo telemático armazenado no celular apreendido com VH revelou sua vinculação com o crime organizado e a sua participação em ações de inteligência voltadas à preparação de um atentado contra Roberto Medina, chefe da Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste do Estado de São Paulo.

Fator de risco

"O levantamento da rotina e endereços de autoridades observado durante a investigação integra um cenário mais amplo de atuação organizada, que representa fator de risco à integridade funcional e pessoal das vítimas, bem como instrumento de pressão sobre a administração penitenciária", advertem os promotores na denúncia contra o grupo do PCC.

Na avaliação do Ministério Público, a atuação do PCC visa reprimir a luta contra o crime organizado desenvolvida por Lincoln Gakiya e Medina. "A organização criminosa, dessa forma, pretende imprimir sua hegemonia e poderio em detrimento do Estado, o que não deve ser consentido."

(Com Agência Estado)

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros