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Brasil Terça-feira, 28 de Julho de 2026, 17:12 - A | A

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Terça-feira, 28 de Julho de 2026, 17h:12 - A | A

ENTRE 2025 E 2026

MPF denuncia 216 pessoas por tráfico internacional de pessoas e contrabando de migrantes

Unidade especializada criada em 2024 já atuou em mais de 1,1 mil processos e aponta avanço de redes criminosas transnacionais que exploram vítimas dentro e fora do Brasil.

DA REDAÇÃO

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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 216 pessoas por tráfico internacional de pessoas e contrabando de migrantes entre 2025 e junho de 2026, após centralizar as investigações em uma unidade nacional especializada. Nesse período, 79 denunciados responderam por tráfico internacional de seres humanos, em casos que envolveram 299 vítimas identificadas, enquanto outras 137 pessoas foram acusadas de contrabando de migrantes.

Criada em 2024, a Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC) já atuou em mais de 1,1 mil processos judiciais em um ano e meio. Segundo o MPF, a centralização das investigações permitiu ampliar o combate às organizações criminosas transnacionais que atuam no aliciamento e exploração de vítimas.

De acordo com a coordenadora da unidade, a procuradora regional da República Stella Scampini, a atuação nacional evita que os casos sejam tratados de forma isolada, permitindo identificar conexões entre investigações realizadas em diferentes estados e mapear a atuação de redes criminosas internacionais.

Antes da criação da UNTC, os procedimentos eram conduzidos individualmente por procuradores nos estados, o que dificultava a identificação das rotas utilizadas pelas organizações criminosas e a relação entre os casos. Atualmente, a unidade reúne quatro procuradores da República com atuação exclusiva em primeira instância e outros três procuradores regionais responsáveis pelos processos em segunda instância.

Vinculada à Secretaria de Cooperação Internacional do MPF, a unidade intensificou a troca de informações com autoridades estrangeiras. Somente em 2025 foram enviados 43 pedidos de cooperação internacional a países como Itália, Espanha, Paraguai, Argentina e Irlanda. No mesmo período, o Brasil recebeu 36 solicitações de auxílio jurídico de autoridades estrangeiras, principalmente da Argentina, Paraguai e Espanha.

Segundo Scampini, o MPF também trabalha para formar equipes conjuntas de investigação com países da América do Sul e da Europa, estratégia que busca acelerar a troca de informações e desarticular organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais. As investigações contam ainda com apoio da Polícia Federal, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Defensoria Pública da União (DPU).

O MPF afirma que o Brasil ocupa diferentes posições nas rotas internacionais do tráfico humano, funcionando como país de origem, destino e trânsito de vítimas. As investigações apontam que essas organizações também estão envolvidas em outros crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção, falsificação de documentos, tráfico de drogas, contrabando e tráfico de animais.

Dados do Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas de 2025 mostram que o Camboja foi o principal destino de brasileiros traficados, concentrando 52% dos casos, seguido por Israel, Itália, Bélgica e Albânia. O levantamento também indica que a exploração sexual passou a ser a principal finalidade do tráfico humano, representando 43% das ocorrências e superando, pela primeira vez, os casos relacionados ao trabalho análogo à escravidão.

Segundo o MPF, os casos de exploração sexual praticamente quadruplicaram nos últimos anos e as mulheres passaram a representar mais da metade das vítimas identificadas. Entre as investigações recentes, estão a denúncia contra 15 pessoas acusadas de integrar uma rede internacional de tráfico de mulheres para exploração sexual na Europa, Oceania e Oriente Médio, além da acusação contra três investigados pela exploração sexual de uma jovem argentina no sul do Brasil.

As investigações também identificaram outras modalidades de tráfico humano, como o aliciamento de brasileiros para aplicar golpes financeiros em países do Sudeste Asiático, da América do Sul e da África, além do recrutamento de trabalhadores para regiões em conflito. O Brasil também figura como destino de estrangeiros explorados em plantações e fábricas clandestinas.

As ações fazem parte da campanha Julho Azul, promovida pelo MPF em referência ao Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, celebrado em 30 de julho. A iniciativa busca orientar a população sobre os sinais do crime e incentivar denúncias às autoridades.

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