Segundo o petista, líderes globais que deveriam priorizar o combate à fome acabam concentrando esforços em disputas e conflitos internacionais. Lula argumentou que, se a ajuda internacional for negada por razões ideológicas, outros países em situação ainda mais crítica deveriam receber atenção.
"Cuba não está passando fome porque não sabe produzir. Cuba não está passando fome porque não sabe gerar energia. Cuba passa fome porque não querem que Cuba tenha certas coisas que todo mundo deveria ter direito", afirmou Lula. "Vamos supor que não se cuide de Cuba por uma perseguição ideológica. Então dizem: não vamos ajudar Cuba porque é um país comunista."
Ele citou ainda o caso do Haiti, que, segundo disse, enfrenta níveis de fome iguais ou superiores aos de Cuba e vive atualmente sob forte presença de gangues. O presidente acrescentou que há muitos países necessitando de apoio e afirmou que a riqueza global está cada vez mais concentrada, mencionando que algumas empresas de plataformas digitais chegam a registrar receitas anuais superiores ao Produto Interno Bruto (PIB) de diversos países.
O presidente também defendeu maior direcionamento de recursos públicos para o combate à pobreza. Segundo Lula, é necessário "retirar um pouco de cada área" do governo para destinar recursos aos mais pobres.
Ele afirmou ainda que se sente sensibilizado ao perceber que a fome mobiliza pouco os governantes ao redor do mundo. Na avaliação do petista, o tema costuma sensibilizar organizações não governamentais e instituições religiosas, mas não recebe a mesma prioridade de líderes políticos. Lula argumentou que isso ocorre, em parte, porque as pessoas que passam fome não têm capacidade de organização ou mobilização política, muitas vezes estando distantes dos centros de poder e sem condições de promover protestos ou manifestações.
(Com Agência Estado)
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