A manifestação ocorre em meio a negociações de bastidores entre o presidente Lula e dirigentes do MDB sobre a possibilidade de indicação de um nome da sigla para a vaga de vice-presidente na chapa à reeleição, em outubro.
Mesmo tendo nomes próximos ao governo federal, como o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o MDB reúne grupos com posições diferentes dentro do partido. Lideranças regionais, principalmente de Estados governados pelo centro ou pela direita, preferem que a sigla se distancie da chapa petista.
A iniciativa de organizar um manifesto contrário à aliança com Lula partiu do diretor do MDB de Goiás, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Em uma primeira carta enviada a Baleia, ele afirma: "A ampla maioria dos diretórios estaduais do MDB é frontalmente contrária a uma aliança eleitoral com o PT. Naturalmente, a maioria dos convencionais também defende a mesma posição".
No seu texto, Vilela menciona que o partido foi ofendido durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no carnaval deste ano.
"Entendo que é inconcebível que um partido com a história e o tamanho do MDB seja alvo de ataques desarrazoados, taxado como golpista até em desfile de carnaval patrocinado pelo atual governo do PT, sem manifestar sua profunda insatisfação", escreveu o vice-governador.
Na apresentação, a escola fez referência a última aliança entre PT e MDB na Presidência da República, durante os governos da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2016. À época, o MDB - então PMDB - integrou a coalizão governista e indicou o vice-presidente Michel Temer, compondo a chapa vencedora nas eleições de 2010 e 2014.
A aliança foi rompida em 2016, quando o MDB desembarcou do governo e passou a apoiar o processo de impeachment de Dilma no Congresso. Desde então, as duas siglas não voltaram a formar uma coalizão nacional nos mesmos moldes, apesar de o atual governo do presidente Lula contar com três emedebistas na Esplanada e manter negociações pontuais com o partido.
Nesse contexto, atualmente Lula e dirigentes do PT avaliam a possibilidade de estimular uma candidatura de Tebet ao Senado ou ao governo de São Paulo, sob a avaliação de que seu nome poderia fortalecer o palanque do presidente no maior colégio eleitoral do País. A ministra, no entanto, construiu sua trajetória política no Mato Grosso do Sul.
(Com Agência Estado)
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