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No Araguaia há um estigma antigo de abandono, alimentado por um complexo de discriminação fomentado por ignorâncias políticas e gestões estaduais desastrosas no sentido de integrar o estado como um todo. Há a ausência de uma identidade que vincule aquela bela região ao complexo turístico do estado e a pujança do agronegócio, apesar de ser uma importante região na produção de grãos e na pecuária. 
O Vale do Araguaia é uma das mais belas regiões do Brasil. A natureza foi muito generosa. Local com grande desenvolvimento no início da segunda metade do século passado. Lugar histórico não somente pelo rio e pelas belezas da Serra Azul, bem como pela Guerrilha do Araguaia. Neste cenário, Barra do Garças sempre foi o destaque, tendo São Felix com a coadjuvante. Com o passar dos anos surgiram as demais cidades motivadas pelos programas de colonização, ampliando e povoando toda a região.
Nos anos 80 Barra do Garças ainda despontava como uma das principais cidades do estado, chegando ter um vice governador, sem falar nos demais políticos que representavam o estado. Esta força foi decaindo a partir dos anos 90 e praticamente entrando os anos 2000 sem uma representação significativa dentro do cenário político mato-grossense. Com isto aumentando a contundência sobre o estigma de região dos esquecidos.
Esta afirmação do Vale dos Esquecidos merece uma reflexão de ambas as partes. Primeiro do poder do Estado de Mato Grosso, pois ao percorrermos a região não encontramos marcas dos governos que sucederam o poder nos últimos 30 anos, a não ser o mínimo obrigatório, estradas, escolas, postos de saúde e etc. Falo de obras de significado econômico, pois estas estão ausentes. O poder central realmente não atendeu todas as regiões do estado na mesma proporção, e de todas as regiões, o Araguaia pode reclamar o lugar de menos privilegiado, que tem toda a razão.
Segundo, temos que fazer uma leitura inversa, pois este fracasso tem nome: é ausência de força política do Araguaia. Significa que seus políticos e, principalmente os administradores das prefeituras, não agiram em direção a capital do estado, mas também deram de ombros e ficaram de costas para a capital. Tanto que sua população atravessa o rio e gasta seu dinheiro no vizinho estado de Goiás. Ao ponto que doente pobre vem para Cuiabá nas ambulâncias do SUS e paciente com dinheiro vai para Goiânia. Somado ao comércio de sementes, insumos, carros, eletroeletrônicos, equipamentos agrícolas, etc, só para ficar em alguns exemplos, são todos consumidos do estado vizinho. O mesmo que por questões constitucionais não poderá fazer obras em Mato Grosso e nem dar incentivos.
Mas isto não é culpa da população, e sim dos políticos. Principalmente prefeitos e presidentes de Câmara de Vereadores, onde velhas oligarquias se apoderaram do poder e transformaram em extensão dos interesses de família. Exemplo macro é a cidade de Barra do Garças que por anos figurou entre as quatro mais importantes do Estados e hoje não fica nem entre as quarenta do Estado, enquanto cidades vizinhas se desenvolveram em ritmo acelerado. Tais como Primavera do Leste, mais próxima a Cuiabá, ou Água Boa, no próprio Vale. Cidade que destoa das demais, justamente por ter tido nos últimos anos um prefeito que está sempre na capital do Estado, onde os recursos chegam.
Outros exemplos são as cidades de Querência e Confresa, que crescem em velocidade astronômicas, podendo passar Barra do Garças ainda nesta década. Sem falar em Nova Xavantina que vem ganhando novos impulsos nos últimos anos. Mas Barra do Garças é ainda o ponto estratégico do Araguaia, portão de entrada a representante política e propulsora do progresso ou do atraso da região. Para que retome o caminho de liderança, mudanças terão que ocorrer na política, lugar onde os homens do poder tomaram conta dos meios de comunicação para afugentar, denunciar e caluniar todos aqueles que possam de alguma forma ameaçar o poder daqueles que por anos não largam o osso.
É hora da população local salvar o Araguaia, um dos lugares mais lindos do mundo! Sem exagero nenhum. Quem não conhece, deve ir conferir. Salvar principalmente dos políticos sem interesse público, sem visão estratégica, sem visão empreendedora, sem interesse no progresso. Pois a simples idéia de desenvolva afeta seu próprio poder, por isso com muita lábia vão atrofiando e escondendo de seu próprio povo a pujança de sua região.
É hora principalmente da cidade de Barra do Garças reassumir seu papel de líder regional, para recolocar o Araguaia na rota do desenvolvimento de Mato Grosso, afinal a copa do mundo de futebol para divulgar as belezas do estado vem aí. O governo do estado precisa pensar nisso, e o eleitor do Araguaia muito mais.
(*) JOÃO EDISOM DE SOUZA é Analista Político e Professor Universitário em Mato Grosso.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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Orestes 18/04/2012
Se esse cara sair na chuva o cabelo e a barba dele desbotam...
1 comentários