Terça-feira, 21 de Julho de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Segunda-feira, 20 de Julho de 2026, 11:28 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Segunda-feira, 20 de Julho de 2026, 11h:28 - A | A

LUIZ CARLO

A Copa do Mundo de Trump

LUIZ CARLO BENITT

O futebol insiste em dizer que é apenas um esporte. A história, porém, demonstra exatamente o contrário. Em determinados momentos, a Copa do Mundo deixa de ser um campeonato entre seleções e passa a ser um retrato fiel da ordem mundial. A edição de 2026 talvez seja o exemplo mais evidente dessa transformação.

Pela primeira vez, o Mundial foi disputado em três países — Estados Unidos, México e Canadá — e inaugurou um novo modelo de competição com 48 seleções e 104 partidas. Oficialmente, a FIFA vendeu o discurso da inclusão, da democratização e da expansão do futebol. Na prática, o que se viu foi a consolidação do esporte como um dos negócios mais lucrativos do planeta.

Os números impressionam. A FIFA encerrou o torneio com receitas próximas de US$ 9 bilhões e distribuiu a maior premiação da história da competição. Estádios lotados, audiências bilionárias e patrocinadores satisfeitos confirmaram o êxito financeiro da entidade presidida por Gianni Infantino.

Mas nem tudo pode ser medido em cifras.

Enquanto o planeta acompanhava os dribles, os gols e as disputas pelo título, duas guerras continuavam produzindo destruição e mortes: o conflito entre Rússia e Ucrânia e a guerra em Gaza. O contraste foi inevitável. De um lado, um espetáculo bilionário celebrado como símbolo da união entre os povos. De outro, um mundo cada vez mais dividido, militarizado e incapaz de construir consensos.

Nesse cenário, Donald Trump fez da Copa uma extensão de sua política externa. O presidente dos Estados Unidos compreendeu rapidamente o peso simbólico do evento e tratou de associar sua imagem ao torneio. Declarações sobre imigração, segurança de fronteiras, soberania nacional e interesses americanos transformaram a competição em um palco político permanente.

A velha tese da neutralidade esportiva voltou a ser desmentida pelos fatos.

A FIFA, mais uma vez, preferiu preservar os contratos comerciais a enfrentar os constrangimentos políticos. A entidade repetiu uma estratégia que já havia adotado em outras Copas: apresentar o futebol como território neutro enquanto negociava diretamente com governos, corporações e chefes de Estado.

Não há ingenuidade nessa postura.
Existe estratégia.

O novo formato da Copa também merece reflexão. É inegável que ampliar o número de participantes abriu espaço para países historicamente excluídos do maior evento do futebol mundial. Houve mais diversidade, novas histórias e maior representatividade continental.

Ao mesmo tempo, a expansão revelou o outro lado da moeda: um calendário inflado, mais jogos, maior desgaste físico para os atletas e uma competição moldada, sobretudo, para ampliar receitas de televisão, publicidade e direitos comerciais.
A lógica econômica venceu a lógica esportiva.

Dentro das quatro linhas, entretanto, o futebol ainda preserva certa capacidade de surpreender. A Espanha conquistou seu segundo título mundial ao derrotar a Argentina na final, consolidando uma geração talentosa, organizada e fiel a um projeto esportivo de longo prazo. França e Inglaterra completaram um pódio que reafirma a força das escolas tradicionais do futebol europeu.

Curiosamente, justamente quando a FIFA busca ampliar mercados e tornar o Mundial cada vez mais global, são as potências históricas que continuam levantando a taça.

Talvez essa seja a principal contradição da Copa de 2026.
A competição ficou maior, mais rica e mais globalizada. Mas também se tornou mais dependente dos interesses econômicos, da geopolítica e das disputas pelo poder internacional.

O futebol continua emocionando bilhões de pessoas. Mas já não consegue esconder que também se transformou em instrumento de influência diplomática, propaganda política e afirmação econômica.

A Copa do Mundo deixou de ser apenas da FIFA.E talvez essa seja a maior derrota do futebol.

(*) LUIZ CARLO BENITT é jornalista político.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros