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Artigos Sábado, 18 de Julho de 2026, 10:02 - A | A

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Sábado, 18 de Julho de 2026, 10h:02 - A | A

EDUARDO DREYER

Sua empresa está pronta para contratar um funcionário chamado Inteligência Artificial?

EDUARDO DREYER

Imagine que amanhã um novo colaborador comece a trabalhar na sua empresa.

Ele chega no horário, recebe um computador, a senha de acesso aos sistemas e se prepara para iniciar as atividades.

Mas ninguém explica como a empresa funciona.

Ele não conhece os produtos, não sabe quem são os clientes, desconhece os processos internos e não tem acesso às informações necessárias para realizar o trabalho.

Ainda assim, no fim do dia, você espera que ele apresente resultados.

Provavelmente isso não vai acontecer.

Por mais qualificado que seja um profissional, ele precisa de integração, treinamento, orientação e acesso às informações corretas para desempenhar bem sua função.

Curiosamente, é exatamente o que muitas empresas fazem quando decidem implantar a Inteligência Artificial.

Existe uma expectativa de que a tecnologia resolva problemas rapidamente. Basta contratar uma plataforma, disponibilizar uma ferramenta de IA para a equipe ou criar um chatbot, e os resultados aparecerão naturalmente.

Na prática, não funciona dessa forma.

A Inteligência Artificial é extremamente capaz, mas depende da qualidade das informações, dos processos da empresa e das orientações que recebe.

Em outras palavras, ela também precisa ser treinada.

Esse é um ponto que considero fundamental e que, muitas vezes, passa despercebido.

Se a empresa deseja que a IA responda corretamente aos clientes, ela precisa ter informações organizadas sobre seus produtos, serviços, políticas comerciais e processos de atendimento.

Se pretende utilizar a IA para apoiar decisões, os dados precisam ser confiáveis e atualizados.

Caso contrário, a tecnologia trabalhará com base nas informações que recebeu, mesmo que elas estejam incompletas ou incorretas.

Pense em um vendedor recém-contratado. Antes de começar a vender, ele precisa conhecer os produtos, entender o perfil dos clientes, aprender como a empresa negocia e descobrir quais argumentos costumam gerar melhores resultados.

Com a Inteligência Artificial acontece exatamente a mesma coisa.

Ela precisa compreender o contexto da empresa para entregar respostas úteis.

Outro aspecto importante é que bons profissionais evoluem com o tempo.

Eles aprendem com os erros, recebem feedback, conhecem melhor os clientes e aprimoram sua forma de trabalhar.

Com a Inteligência Artificial também deve ser assim.

Ela precisa ser acompanhada, revisada e ajustada continuamente.

Implementar uma solução de IA e acreditar que ela funcionará sozinha é como contratar um colaborador e nunca mais conversar com ele.

Essa reflexão nos leva a uma conclusão importante.

O sucesso da Inteligência Artificial depende muito menos da ferramenta escolhida e muito mais da forma como a empresa se prepara para utilizá-la.

Quando existem processos bem definidos, informações organizadas e pessoas capacitadas, a IA consegue entregar resultados consistentes. Mas, quando esses elementos não existem, dificilmente qualquer tecnologia será capaz de resolver os problemas do negócio sozinha.

Por isso, antes de perguntar qual plataforma contratar, talvez valha a pena responder algumas questões.

Os processos da empresa estão bem definidos?

As informações utilizadas pela equipe são confiáveis?

Os dados dos clientes estão organizados?

As pessoas sabem como utilizar a Inteligência Artificial de forma responsável?

Essas perguntas costumam fazer muito mais diferença do que a escolha da ferramenta.

A Inteligência Artificial pode escrever textos, resumir documentos, analisar informações, apoiar decisões e automatizar diversas atividades.

Mas ela não substitui o conhecimento do empresário, a experiência da equipe nem o relacionamento construído com os clientes ao longo dos anos.

Ela potencializa tudo isso.

Quando uma empresa contrata um novo colaborador, ela sabe que será necessário tempo para integrá-lo, compartilhar conhecimento e desenvolver seu potencial.

Com a Inteligência Artificial não é diferente.

A tecnologia pode ser extremamente poderosa, mas o resultado continuará dependendo das pessoas que a orientam e da empresa que a prepara para trabalhar.

Na minha opinião, o verdadeiro retorno da Inteligência Artificial está na capacidade de tornar a empresa mais eficiente, melhorar a qualidade das decisões, fortalecer o relacionamento com os clientes e criar novas oportunidades de crescimento.

(*) EDUARDO DREYER é graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós-graduado em Engenharia de Software e MBA em Inteligência Artificial e Automação de Negócios. Atua com tecnologia e transformação digital, além de ministrar palestras sobre Inteligência Artificial e suas aplicações no ambiente profissional e empresarial.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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