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Artigos Sexta-feira, 17 de Julho de 2026, 14:29 - A | A

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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026, 14h:29 - A | A

GLEISSON TAGLIARI

Proteger a floresta é mantê-la em pé e produzindo

GLEISSON TAGLIARI

No imaginário coletivo, proteger uma floresta ainda significa deixá-la completamente intocada. Esta ideia, apesar de ancorada no senso comum, é insuficiente para responder aos desafios ambientais, econômicos e sociais da atualidade.

Neste Dia de Proteção às Florestas (17), convido você a ampliar essa reflexão: a floresta está protegida quando gera valor, emprego e renda de forma responsável. Essa é a essência do manejo florestal sustentável.

Durante muito tempo, a atividade do setor de base florestal foi julgada pelo seu pior exemplo. Ao colocar no mesmo patamar a exploração ilegal e o manejo florestal sustentável, criou-se uma distorção que ainda persiste no debate público. São práticas opostas. Enquanto a primeira destrói o bioma, a segunda é planejada, fiscalizada e baseada em critérios técnicos rigorosos para garantir que o ecossistema continue em pé, produtivo e capaz de se renovar.

O manejo sustentável baseia-se em um princípio essencial: colher apenas o que a floresta é capaz de repor naturalmente. Por isso, apenas árvores aptas ao corte são retiradas, seguindo ciclos que variam entre 20 e 25 anos. Esse intervalo permite que a mata se regenere, mantenha sua biodiversidade e continue desempenhando seu papel ambiental.

Um benefício ainda pouco difundido é a contribuição para o equilíbrio climático. Durante o crescimento, as árvores realizam a fixação de carbono, absorvendo dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e incorporando-o à sua estrutura. Quando envelhecem e entram em processo de decomposição, esse carbono retorna ao ambiente. A técnica do manejo, porém, permite colher árvores maduras de forma planejada antes desse declínio natural. Ao serem transformadas em móveis, pisos e vigas, esse carbono permanece armazenado por décadas em produtos de longa vida útil, um processo estratégico chamado de sequestro de carbono.

Ao mesmo tempo, a floresta se regenera. Novas árvores crescem, reiniciando o ciclo de fixação de carbono e garantindo a renovação permanente. Soma-se a isso outra vantagem, especialmente relevante para a construção civil: a madeira exige muito menos energia para ser processada do que materiais como concreto, aço e cerâmica, podendo gerar emissões de carbono até vinte vezes menores em determinadas aplicações.

Hoje, a madeira é totalmente rastreável. Por meio de um QR Code, é possível acompanhar o percurso de cada peça, desde a floresta até o consumidor final, garantindo a origem legal e a transparência de toda a cadeia produtiva. Em um mercado internacional cada vez mais rigoroso, essa rastreabilidade fortalece a confiança no produto brasileiro e amplia nossa competitividade.

Há, ainda, um aspecto frequentemente ignorado: o manejo transforma a conservação em uma atividade econômica permanente, reduz a pressão sobre áreas de desmatamento ilegal e fortalece a legalidade. Em Mato Grosso, o setor de base florestal sustenta a economia de 44 municípios e gera cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos. Não são apenas números; são milhares de famílias cuja renda depende da floresta conservada.

O debate sobre a proteção das matas precisa superar antigos paradigmas. Não existe contradição entre produzir e conservar quando a produção respeita os limites da natureza; na verdade, uma depende da outra. Uma floresta sem valor econômico torna-se mais vulnerável à ocupação irregular. Já a produção responsável gera riqueza e incentivos perenes para que o bioma continue existindo.

Neste Dia de Proteção às Florestas, a principal mudança necessária está no imaginário coletivo. É preciso compreender que o manejo sustentável não é uma ameaça, mas uma das ferramentas mais eficazes para manter a floresta viva, em pé e capaz de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos para as próximas gerações. Nós, do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), assumimos o compromisso de continuar comunicando, promovendo pesquisas e realizando eventos para que, gradualmente, essa mudança de percepção aconteça.

(*) GLEISSON TAGLIARI é engenheiro e atua há mais de três décadas no setor de base florestal em Mato Grosso, à frente da GTO Madeireiras, em Sinop. Foi presidente do Sindusmad entre 2013 e 2016 e ocupa atualmente a presidência interina do Cipem

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