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Artigos Quinta-feira, 02 de Abril de 2026, 10:06 - A | A

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Quinta-feira, 02 de Abril de 2026, 10h:06 - A | A

SÉRGIO CINTRA

Tréplica ao amigo Naime

SÉRGIO CINTRA

Naime, quando o barbeiro judeu amnésico enuncia o seu “Último Discurso” em “O Grande Ditador” (1940), ele vaticina: “Me desculpem, mas eu não quero ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não quero governar ou conquistar ninguém. Gostaria de ajudar a todos — se possível — judeus, não-judeus, negros e brancos.” Esse filme (o primeiro falado de Chaplin) ironiza Hitler e Mussolini e, ao mesmo tempo, traz uma mensagem que vai além do pacifismo; é um libelo contra o nazifascismo. Impossível não estabelecer um paralelo entre o personagem ditador Adenoid Hynkel e o presidente estadunidense Donald Trump: ambos se comportam de maneira autoritária, bélica, insensível e preconceituosa. Ao satirizar o Führer Adolf e o Duce Benito, Charles Chaplin retoma a ideia contida na frase latina “Ridendo castigat mores”, conseguindo espalhar humor em meio à barbárie da 2ª guerra Mundial (1939 – 1945).

Naime, há duas diferenças básicas em nossos textos: Em “Trump, Tromp, Trimp, Tremp, Tramp...”, eu parto de fatos para caracterizar física e moralmente o “Homem-Laranja”; você, em “Resposta ao ilustre professor Sérgio Cintra (sic) artigo sobre Trump” ao contrário, baseia-se em opinião que é um julgamento subjetivo, pessoal e interpretativo, além das aspas irônicas que em nada contribuem para o debate democrático e republicano. Ironias e a Pirâmide de Grahan à parte, no 1º parágrafo do seu texto você afirma: “parece periclitante e injusta”; ora, o verbo “parecer” foi usado inadvertidamente, pois ao usar “parecer” como sinônimo de “ser” gerou ambiguidade, porque “parecer” nunca garante a essência, apenas sugere (isso sim é periclitante); o 2º parágrafo, apesar da indelicadeza semântica “acadêmicas” (desdenhando da ciência e do conhecimento), é marcado pela incoerência textual interna e externa (sobre as quais não vou teorizar), por exemplo, “Que ousadia! Num planeta onde ditadores de verdade massacram opositores, é reconfortante saber que o maior "sociopata disruptivo" é um bilionário eleito democraticamente em uma nação próspera, para onde o mundo inteiro migra sonhando com casas, empregos e liberdade.” Aristóteles, em “Refutações Sofísticas”, explica os sofismas de várias formas, inclusive com o tipo “non sequitur”; o 4º parágrafo é um belíssimo exemplo do sofisma “Exclusão do meio-termo ou falsa dicotomia” quando ignoramos as possibilidades intermediárias e repetimos o “nós x eles”, aliás, Naime, você me “presentou com um exemplo claríssimo desse tipo de sofisma, posso usá-lo em minhas aulas?; o 5º parágrafo é outra pérola dos sofismas aristotélicos: “Ad hominem” a expressão latina significa “ao homem”. Esse tipo de sofisma ocorre quando, em uma argumentação, atacamos o interlocutor, em vez de criticarmos suas palavras. Que pena, Naime! Os nossos anos de Escola Modelo Barão de Melgaço não foram suficientes para que você não se tornasse leviano e superficial. Meus alunos sabem do meu posicionamento sobre a guerra na Ucrânia; no 6º parágrafo, em pese sua visão reducionista e obtusa sobre o conceito de Democracia, “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, concordo contigo na maior parte de suas afirmações; finalmente, o brevíssimo 7º parágrafo é uma pergunta retórica e uma provocação esdrúxula, pois a palavra “tirano” pode significar “opressor, atroz, bárbaro, cruel, desalmado, desumano, impiedoso, selvagem, truculento, violento”; portanto, já escrevi: “Trump” além de outros tupiniquins.

Naime, gostaria muito que o tempo e as ideologias não tivessem nos separado; que pudéssemos sorrir docemente como quando éramos crianças e que as nossas diferenças não passassem da torcida pelo Dom Bosco ou pelo Mixto; naquele tempo, não fazia diferença para nós você morar no centro e em casa de laje (atrás da Igreja do Rosário) e eu na periferia e em casa de adobe e telhado sem forro (ainda sinto os borrifos da chuva no meu rosto). Você se tornou monarquista (entendi); eu, comunista e os caminhos se tornaram díspares; faz anos que li “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, e uma frase ainda ecoa em mim: “A pior cegueira é a mental, que faz que com que não reconheçamos o que temos a frente.”

(*) SÉRGIO CINTRA é professor de Linguagens e servidor do TCE-MT.

 

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