Segunda-Feira, 26 de Agosto de 2019, 09h:21

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Pessoas

Por: PAULO WAGNER

Jose Mota / HNT

Paulo Wagner


Durante nossa caminhada nessa dobra cósmica de existência muitas pessoas entram e saem de nossas vidas da mesma forma que saímos e entramos da vida delas. Há quem diga que esses encontros não são obra do acaso, possuem um porquê, uma razão subjetiva que muitas vezes não sabemos dimensionar. Há quem diga, até, que são reencontros.

Cada pessoa que encontramos tem características próprias, escolhas próprias, uma maneira singular de sentir e reagir frente à vida e às circunstâncias do mundo que encontram. E apesar das afinidades e semelhanças, as pessoas nunca são iguais. Por termos uma sensação intuitiva de incompletude podemos descobrir no outro aquilo que falta em nós. A alteridade nos faz mais inteiros e o modo de ser do outro pode nos ensinar a sermos pessoas melhores, só precisamos ter humildade para perceber em nossos semelhantes as competências, qualidades e virtudes que ainda não temos, humildade para aprendermos com o outro aquilo que ainda não sabemos.

Pessoas também nos ensinam a ver além de nós mesmos, nos ensinam a ter empatia, que é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, percebendo seus anseios, suas tristezas e alegrias, suas limitações e potencialidades, sua humanidade. A empatia é sempre uma oportunidade de aprendizagem, de diálogo, autoconhecimento e valorização das diferenças. Com ela podemos descobrir que precisamos das pessoas bem mais do que imaginamos. Por mais paradoxal que possa parecer nosso mundo individual só existe diante do contraste com o mundo do outro.

Nesta travessia de aprendizado e convivência com as pessoas que entram e saem de nossa vida é importante não esquecermos que todos somos impermanentes e já não somos a mesma pessoa, o mesmo eu que éramos há décadas, horas e minutos. Nossas células já não são as mesmas, nossa maneira de agir, sentir e pensar já se transformou consideravelmente. Por isso, não devemos ter uma imagem preconcebida e estanque das pessoas que nos cercam, pois tudo está em constante transição, todas as pessoas são passageiras do tempo e a vida é professora.

Precisamos mais que nunca olhar para as pessoas ao nosso redor com compreensão e amorosidade, ter atenção plena para perceber que pessoas são milagres vivos, acontecendo sob o nosso olhar. Precisamos estar com as pessoas sabendo que de uma hora para outra elas podem transpor o espelho, deixando guardada em nós apenas a lembrança de seu sorriso. Precisamos saber que pessoas são únicas e que o mundo seria estranho, repetitivo e enfadonho se todas as pessoas fossem iguais.

(*) PAULO WAGNER é Escritor, Jornalista e Mestre em Estudos de Linguagem pela UFMT e escreve para HiperNotícias excepcionalmente nesta segunda. E-mail: pwoliveiral@yahoo.com.br 

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1 Comentários

Laercio Miranda - 26/01/2020

Grande reflexão de Paulo Wagner, por sinal, necessária pra que a gente não passe pela vida entorpecido, sem saber olhar para o outro e se achando o centro do universo. Somos pequenos e vivemos em um universo de seres e coisas interdependentes. Isso é muito bom para nos sentirmos conectados com o todo, mesmo quando parecemos estar sozinhos e isolados.

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