Há histórias que não começam nos grandes palcos, nem nos holofotes. Começam em mesas simples, em conversas entre pessoas que acreditam no futuro e decidem construir algo maior do que elas mesmas.
O desenvolvimento do agro em Mato Grosso nasceu muito antes das grandes estruturas, da tecnologia de ponta e dos números que hoje impressionam o mundo. Nasceu da coragem de enfrentar desafios, da capacidade de transformar dificuldades em oportunidades e, principalmente, da visão coletiva de quem entendeu que ninguém cresce sozinho.
Só quem viveu essa trajetória de perto consegue compreender a dimensão da transformação que aconteceu no cerrado mato-grossense. Terras antes vistas como improdutivas deram lugar a uma das regiões mais eficientes, produtivas e valorizadas do planeta. Mas nada disso aconteceu por acaso. Eu vi parte dessa história nascer.
Vi a Fundação Rio Verde surgir dentro da casa da minha tia Dora. Vi reuniões acontecendo de forma simples, mas carregadas de propósito. Vi homens e mulheres acreditando em ideias quando tudo ainda era muito difícil. Lembro do Egídio Vuaden, do Cleyton Bortoline, da Eliane, que era secretária da instituição, e de tantos outros personagens que ajudaram a construir os primeiros passos dessa caminhada.
Vi também o escritório funcionando junto à serigrafia dos meus pais, em frente ao que foi a primeira sede administrativa e a Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde, no início da Avenida Rio Grande do Sul. Meu pai participava do conselho fiscal da fundação, e talvez sem perceber eu já aprendia ali sobre compromisso coletivo, responsabilidade e visão de futuro.
Curiosamente, foi nesse ambiente que conheci tecnologias que, naquela época, pareciam revolucionárias, como os primeiros computadores e impressoras matriciais. Também acompanhei a conquista da área onde hoje está instalada a sede da instituição e onde tantos projetos importantes ganharam vida ao longo dos anos, incluindo iniciativas ligadas à educação técnica e à formação profissional.
Participei dos primeiros dias de campo. Eventos simples, mas extremamente ricos em troca de experiências, conhecimento e convivência. Ao final, quase sempre havia um churrasco coletivo, reunindo produtores, técnicos, pesquisadores e famílias inteiras. Era mais do que um encontro técnico. Era um movimento de construção comunitária. Foi nesse ambiente que nasceu meu interesse pelo agronegócio.
Ainda criança e adolescente, acompanhei discussões sobre integração lavoura-pecuária, plantio direto, segunda safra, produtividade, verticalização e novas possibilidades para o campo. Temas que hoje parecem consolidados, mas que, naquele momento, eram resultado de ousadia, pesquisa e disposição para inovar. E talvez esteja exatamente aí a grande lição.
O que transforma uma região não é apenas tecnologia. Não é apenas produção. Não é apenas crescimento econômico. O que realmente transforma é a capacidade de conectar pessoas em torno de um propósito comum.
Instituições como a Fundação Rio Verde e a Fundação MT tiveram um papel decisivo nesse processo. Mais do que desenvolver pesquisas, ajudaram a formar uma cultura de cooperação, conhecimento e visão estratégica. Criaram pontes entre ciência, campo, economia, educação e desenvolvimento social.
Hoje, quando vemos Mato Grosso ocupar posição de protagonismo nacional e internacional, é importante lembrar que por trás dos números existem histórias, pessoas, escolhas e muito trabalho coletivo. Eu vivi parte dessa construção nos bastidores.
E talvez essa tenha sido minha maior faculdade de vida. Foi ali que aprendi que desenvolvimento de verdade não acontece sozinho. Ele nasce da coragem de compartilhar conhecimento, de pensar no coletivo e de acreditar que é possível construir algo que transborde para as próximas gerações.
(*) RAMIRO AZAMBUJA é empresário brasileiro com atuação entre Brasil e Portugal nos setores de agronegócio, energia e mercado imobiliário
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