“A filha que não se sentiu vista
ensina a filha a se esconder.
No silêncio, a dor persiste
no que não soube receber.”
Ela entrou pela porta como se o mundo devesse parar.
Vestido que varria o chão, salto que desafiava a física, penduricalhos tilintando e a bolsa de grife anunciavam a sua chegada.
Pomposa* não precisava de ninguém.
O salão de beleza pensava isso.
Na clínica de estética, faltava só o tapete vermelho na entrada.
E a joalheria? Havia aprendido a abrir a porta só para não atrasar a cena.
O que nem todos sabiam era que as filhas reclamavam que ela não as via e nem as ouvia.
Buscou a constelação familiar e foi revelado que quanto mais ela se distanciava da mãe, mais as filhas julgavam ela.
Depois do silêncio e dos olhos lacrimejados, ela contou a verdade: fazia mais de 20 anos que não falava com a mãe. Não precisava dela. Era o que dizia.
Aquele distanciamento não nasceu nela. A dor que não é nomeada não desaparece.
Antes mesmo da mãe nascer, os primeiros vestígios já habitavam a avó. Três gerações carregando o mesmo padrão no mesmo corpo, compartilhando o mesmo ambiente biológico.
É o que afirma Mark Wolynn, no livro Não Começou com Você.
O pioneiro biólogo celular Bruce Lipton demonstra que o próprio DNA responde a emoções, crenças e pensamentos negativos ou positivos. O corpo guarda o que a mente recusa sentir.
Por isso, padrões de comportamento são herdados não apenas pela genética, mas pela atmosfera emocional que respiramos antes mesmo da concepção.
As filhas de Pomposa* não haviam escolhido aquele distanciamento. Elas o herdaram.
Entender isso não justifica. Mas modifica o posicionamento.
Nem toda relação com a mãe é fácil. Reconciliar com ela não é fingir que não tem defeitos nem apagar as mágoas com um abraço de roteiro.
É reconhecer que, apesar do passado, ela também foi filha antes de ser mãe. Ela carregou feridas que não escolheu, de forma consciente.
Ainda assim, abriu a porta da vida, o que a torna sagrada.
A história familiar, independente de como tenha sido, habita em nosso interior. Excluí-la não a apaga. Só aprofunda o sofrimento e o repassa, de forma silenciosa, para as futuras gerações.
Foi exatamente o que as filhas de Pomposa* sinalizavam, ao dizerem: “mãe, você não nos ouve nem presta atenção em nós”. E, assim, mostrarem que ela mesma não havia sido vista nem ouvida.
Após a sessão de constelação familiar, o salto continuava alto. O cabelo, impecável. Os penduricalhos, no lugar.
Mas algo havia mudado no jeito de caminhar. Os pés dela tocaram o chão com uma leveza que ela não reconhecia.
Era o começo. Não da perfeição. Da cura.
O que você está passando adiante, sem perceber ou sem querer, que um dia chegou até você da mesma forma?
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*Pomposa é um personagem fictício.
(*) BRUNA BERTHOLDO é Escritora. Poeta. Consteladora Familiar. Neurociência aplicada.
Instagram: @brunabertholdocf
Substack: @brunabertholdo
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