O atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é bem ruim, e não por políticas públicas ou falas absurdas, mas pelo dia a dia que eu, um jovem nascido em 2002, vivo. Ainda moro com minha mãe, tenho um trabalho efetivo que eu me dediquei muito para ter, não conseigo ter economia nem fazer investimentos, além de que toda vez que vou ao mercado, compro dez itens e a conta passa de R$ 100.
A realidade atual é essa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2012 a 2024, o número de jovens/adultos entre 25 a 34 anos morando com os pais cresceu 137% no Brasil. O apelido “Geração Canguru” não existe do nada e tem total relação com o animal, onde as fêmeas levam os seus filhotes em suas “bolsas”. Segundo dados do IBGE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, FipeZAP e Secovi-SP, o custo médio mensal para se morar hoje no Brasil é de R$ 3.800,00. A média salarial de todo brasileiro varia entre R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00, já a média entre pessoas de até 30 anos é de R$ 1.500,00 a R$ 3.500,00. Até os 24 anos, fica em até R$ 2.000,00.
Não é que a gente não quer sair de casa, mas qual a perspectiva? Todo mundo sabe que mudanças não são fáceis, mas chegou em um nível que sair de casa pode virar um motivo de endividamento eterno.
Isso não é uma coisa que mudou no governo Lula, nem no de Jair Bolsonaro. É um caminho que vem sendo trilhado ano após ano, e não parece que vai mudar. O país está economicamente em um buraco, e a proposta de um é seguir no poder para, em tese, haver uma luz no fim do túnel, enquanto o outro simplesmente só quer tirar aquele que está no poder com a ideia “americanizada” de que vai voltar a fazer o Brasil grande novamente.
Mas afinal, quem pode mudar a realidade do país? Em quem o jovem vai votar?
Esse é o X da questão tanto para Lula quanto para Bolsonaro. É notória a força das redes sociais da direita, enquanto a esquerda ainda não entendeu a força e o tamanho que isso tem nas últimas quatro eleições, visto a disputa eleitoral para a prefeitura de 2024 em Cuiabá. Abilio Brunini, do Partido Liberal, tem 1,7 milhão de seguidores no Instagram. Já Lúdio Cabral, do Partido dos Trabalhadores, tem atualmente 63 mil. Os números eram menores antes e cresceram exponencialmente durante o período eleitoral.
Talvez o número de votos não reflita exatamente quem apoia Abilio e Lúdio, mas a clara polarização entre direita e esquerda mostra que hoje as pessoas não votam só pelas propostas dos candidatos ou aquilo que eles defendem, e sim para não eleger o PT ou ir a favor de alguém que é bolsonarista assumido.
Chega a ser cômico, no estado com mais eleitores de Bolsonaro no país, um segundo turno de uma capital entre PL e PT ter uma diferença de apenas 25 mil votos de 330 mil: 53,8% a 46,2%.
Será que esses 25 mil não teriam mudado de opinião se Lúdio não tivesse mais força nas redes, ou se Abilio não viralizasse tanto assim, como na famosa pauta do “Todes”?
Logicamente essas perguntas não têm resposta. Como se calcula isso? Como se mede isso?
Mas é evidente e histórico: quem não é visto, não é lembrado.
Os recentes casos da ligação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro escancaram não só a hipocrisia política, mas o desespero por fazer qualquer coisa para aparecer em ano eleitoral. Porque a pauta do fim da escala 6x1 só vai ser votada agora, em maio de 2026? Não é à toa. Qual a melhor propaganda eleitoral para Lula do que usar o slogan: “Foi no meu governo que acabamos com a escala de trabalho rígida. Vote em mim!”
Ninguém na política é inocente, muito menos a maior figura política da história desse país.
Mas parece que o lado direito da força não me parece ser muito esperto. Bolsonaro, tal qual a sua inspiração americana, Donald Trump, não conseguiu ser reeleito, muito por conta da sua péssima administração da pandemia no Brasil. O povo não esquece. Os atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023 deixaram isso ainda pior para a imagem do ex-presidente.
A prisão dele devia ter acabado com a carreira do mesmo politicamente em basicamente todos os países do mundo, mas logicamente, como várias coisas em terras tupiniquins, teve o efeito contrário. Igual ao Lula, Bolsonaro virou mártir e piada ao mesmo tempo, exatamente o mesmo roteiro do atual presidente. Goste você ou não, até aqui as histórias são exatamente iguais, mas em um dos casos um grupo deixou mais evidências que o outro. Jair Bolsonaro está inelegível.
E esse é o pior cenário possível para a direita, que está se degladiando para quem vai assumir o papel do ex-presidente. É pavorosa a tentativa de Flávio de tentar abafar qualquer ligação entre ele e Vorcaro, limitado apenas a um pedido de dinheiro para a produção do filme contando a história do pai, Dark Horse, uma produção americana, feita em inglês e com um roteiro e trailers vazados para tentar, de fato, demonizar toda a esquerda brasileira, ligando com a facada sofrida pelo ex-presidente durante as eleições de 2018.
Tarcísio de Freitas não vai ganhar nem em São Paulo, Caiado não vai chegar nem a 5%, Michelle Bolsonaro não tem apoio de ninguém, Romeu Zema já pulou do barco, Ciro Nogueira é uma desilusão de loucos (perdão aos loucos). Sobra quem? Essa deve ser a principal discussão em Brasília, ao ponto de Flávio entrar na Justiça para proibir o compartilhamento de novas pesquisas eleitorais antes que as coisas fiquem mais feias para o seu lado. O pessoal do The Intercept Brasil pode ter recalculado toda a eleição presidencial de 2026, e ainda pode mudar ainda mais.
Lula não é burro. Acabar com a popular taxa das “blusinhas”, que ele mesmo criou, justo agora tem impacto. Forçar a votação do fim da escala 6x1 antes do período eleitoral é importante. Não ser ele quem pôs fim à PL da Dosimetria é estratégia. Não pronunciar somente uma palavra sobre Vorcaro e Banco Master é inteligente e superior.
Já Flávio, que sim, é a única esperança da direita, pede uma CPI que simplesmente pode derrubar muito mais gente, e quem está defendendo claramente não sabe o que está pedindo, só seguindo fielmente seu líder como um certo grupo de animais de quatro patas que andam em cascos e vivem em fazendas.
Somente uma coisa o cenário não vai mudar; ao contrário, pode piorar muito. Lula não só precisa, mas necessita ter um número maior de deputados a seu favor na Câmara e de senadores no Senado. Falta poder para ele.
Agora o bolsonarismo precisa definir quem vai, porque está ficando tarde demais. Flávio vai mesmo ter força para encarar um segundo turno? O que mais o Intercept pode revelar? E não só eles. Quando um furo aparece em um barco, outros vão aparecer, e nesse momento o barco de Flávio não parece ser consistente, e sim virou uma peneira.
Mas então, o que fazer? Se você chegou até aqui esperando uma resposta, desculpa, eu não tenho uma. E, na verdade, nem tem uma. Você deve decidir com os seus próprios neurônios.
(*) GABRIEL HENRIQUE FREITAS BARBOSA é jornalista em formação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), repórter do site HiperNotícias
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