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Artigos Segunda-feira, 25 de Maio de 2026, 14:16 - A | A

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2026, 14h:16 - A | A

SÉRGIO INOUI

Cuiabá a 44º C: quem está planejando nossas cidades?

SÉRGIO INOUI

Nos últimos dias, Cuiabá viveu manhãs mais frias e temperaturas abaixo do habitual, um cenário incomum para uma cidade conhecida pelo calor intenso. Mas o alívio momentâneo não muda uma realidade já conhecida pelos cuiabanos: com a aproximação do período mais seco e quente, os meses de calor extremo ainda estão por vir.

Cuiabá chegou a 44,1°C em outubro de 2024. Não foi apenas um recorde climático. Foi um alerta urbano, ambiental e social. Enquanto os termômetros batiam uma das maiores temperaturas da história da capital mato-grossense, muita gente ainda insiste em tratar planejamento ambiental como detalhe técnico ou burocracia de licenciamento.

Mas basta caminhar pela cidade em uma tarde de setembro para entender que o problema já deixou de ser teórico há muito tempo.
O calor extremo em Cuiabá não nasce apenas do clima natural da região. Ele é agravado pela forma como construímos a cidade. A impermeabilização desenfreada do solo, a retirada da vegetação urbana, a falta de arborização, os loteamentos sem planejamento ambiental adequado e os bairros inteiros erguidos sem considerar drenagem, ventilação e microclima criaram uma cidade mais quente, mais seca e mais vulnerável.

Os impactos aparecem no cotidiano da população. Estão na mãe com a criança no colo esperando ônibus sob um sol de quase 45 graus. Estão no trabalhador exposto ao calor durante horas. Estão nas unidades de saúde lotadas por problemas respiratórios, desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares. Estão também nas enchentes que se repetem a cada período chuvoso, mesmo em uma cidade cercada por córregos e rios.

Pesquisas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) já identificaram ilhas de calor em Cuiabá com diferenças de até 10 graus entre regiões da mesma cidade. Isso significa que determinadas áreas urbanas conseguem ser ainda mais agressivas climaticamente do que outras. E isso não acontece por acaso. Existe causa técnica e, também, solução técnica.

É justamente nesse ponto que entra o papel do engenheiro sanitarista e ambientalista.

É esse profissional que projeta sistemas de drenagem urbana, analisa impactos ambientais, dimensiona áreas permeáveis, pensa soluções para arborização urbana, acompanha licenciamentos e atua diretamente na construção de cidades mais resilientes e habitáveis. Em outras palavras: são profissionais que ajudam a evitar que Cuiabá se transforme em um território cada vez mais hostil para quem vive aqui.

Por isso, fortalecer a representatividade da engenharia sanitária e ambiental dentro do CREA-MT não é uma discussão corporativa. É uma pauta diretamente ligada à qualidade de vida da população.

As decisões tomadas nas câmaras técnicas e no plenário do Conselho influenciam debates sobre saneamento, urbanização, recursos hídricos e desenvolvimento urbano em Mato Grosso. Quando a categoria ganha espaço institucional, ganha também capacidade de defender planejamento técnico, sustentabilidade e políticas públicas mais responsáveis.

Muita gente talvez não saiba, mas os profissionais registrados no CREA-MT podem escolher, no sistema e-Crea, qual título profissional irá representá-los na Renovação do Terço do Conselho. E essa escolha interfere diretamente na quantidade de cadeiras ocupadas pela engenharia sanitária e ambiental dentro do plenário.

O prazo termina em 27 de maio de 2026.

Pode parecer apenas um procedimento administrativo. Mas, diante de uma cidade que já alcançou 44 graus, discutir quem participa das decisões técnicas sobre urbanização e meio ambiente deixou de ser detalhe burocrático. É uma escolha sobre o futuro das cidades que queremos construir em Mato Grosso.

(*) SÉRGIO INOUI é presidente da Associação de Engenheiros Sanitaristas e Ambientalistas de Mato Grosso (AESA-MT).

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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