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Sexta-feira, 06 de Novembro de 2026, 06h:56 - A | A

NEILA BARRETO

Inovação na água de beber em Várzea Grande

NEILA BARRETO

Reprodução

NEILA BARRETO

 A história do abastecimento de água no Brasil é marcada por um paradoxo estrutural: a coexistência entre abundância natural de recursos hídricos e dificuldades persistentes de acesso à água potável. Em Mato Grosso, esse contraste torna-se particularmente evidente. Desde o período colonial, o abastecimento esteve associado ao uso direto de rios, córregos, bicas e poços, sem tratamento sistemático, refletindo tanto limitações técnicas quanto a fragilidade institucional dos serviços urbanos em formação. Até o século XIX, o abastecimento de água em Mato Grosso manteve-se essencialmente vinculado às fontes naturais. 

Em contextos mais recentes, destacam-se inovações tecnológicas como o uso de membranas filtrantes e sistemas de ultrafiltração, capazes de remover partículas microscópicas, bactérias e vírus, elevando significativamente a qualidade da água distribuída à população. Essas tecnologias simbolizam a consolidação de um novo patamar técnico no saneamento estadual, ainda que persistam desafios relacionados à distribuição e à redução de perdas, conforme explica o eng. Noé Rafael da Silva.Na década de 80, a Sanemat para reestruturar a gestão do Saneamento em Mato Grosso, implementou sete Polos administrativos regionalizados no Estado divididos em regionais: Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças, Cáceres, Jaciara, Diamantino, Sinop. Dentre esses municípios a grande inovação no saneamento, se deu em Várzea Grande-MT, pois além das Estações de Tratamento de Água Imigrantes, Ulisses Pompeu de Campos, Júlio Campos, Barra do Pari, foi construída a nova ETA-Grande Cristo Rei onde não é usado sulfato de alumínio no processo de tratamento da água, mas sim membrana filtrante. Cidade da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, vizinha da capital,  surgiu em 1832 e atualmente é um importante polo com forte atividade comercial e industrial. Quanto ao abastecimento público de água, Várzea Grande possuía, à época, três poços de água marcavam a grande várzea. 

Com a devolução do serviço de saneamento para o município, foi criado o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande – DAE, em 5 de junho de 1997 para atender à comunidade com saneamento básico de qualidade. A ETA Cristo Rei com capacidade de 320 l/s, foi inaugurada no final de 2021. Este sistema de tratamento da água é considerado um dos mais modernos do mundo. Uma membrana de fibra sintética, de alta resistência a tração e baixo peso, promove a ultra filtração da água captada no rio Cuiabá, atribuindo melhor qualidade da água à população. O sistema de ultra filtração é uma tecnologia de remoção de partículas muito pequenas.

A membrana utilizada com este método, tem poros que medem de 0,01 a 0,001 mícron de diâmetro, suficiente para remover a maioria das bactérias, vírus e substâncias de alto peso molecular. Muitos organismos se tornaram resistentes a outros métodos de desinfecção da água, mas um sistema de ultra filtração forma uma barreira física porosa, removendo os organismos patogênicos ao passar a água pela membrana. A Dupont, através da sua tecnologia de ultra filtração, forneceu membranas filtrantes para o tratamento de água em Várzea Grande, Mato Grosso, visando lidar com a alta turbidez da água do rio Cuiabá, conforme o engenheiro Noé Rafael da Silva. Recentemente também foi inaugurada no dia 24 de fevereiro de 2024 a ETA Barra do Pari/Chapéu do Sol, com capacidade para tratar 250 l/s. A ETA Imigrantes foi inaugurada 12 de setembro de 2024 capacidade 125 l/s. Toda essa produção de água, é suficiente para o abastecimento da população de Várzea Grande. Há necessidade de investir na distribuição e redução das perdas. A criação de órgãos como a SANEMAT representou um marco fundamental na institucionalização e no planejamento do saneamento em escala estadual, concentrando esforços e investimentos. No entanto, a posterior municipalização e a entrada da iniciativa privada trouxeram um cenário diversificado, com avanços significativos em algumas localidades, como Várzea Grande, que adota tecnologias de ponta como a ultrafiltração, mas também a persistência de lacunas em outros municípios.

(*) NEILA BARRETO é jornalista, mestre em História e membro da AML e Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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