Na última sexta feira (9), o IBGE divulgou que a inflação em 2025 foi de 4,26%, ficando abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. Medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é a menor variação anual desde 2018, no governo de Michel Temer, quando a inflação foi de 3,75%.
Os principais fatores que atuaram para o bom comportamento da inflação ao longo de 2025 foram a queda de preços dos alimentos, alimentação feita em casa, bens industrializados, queda da cotação do dólar frente ao real, clima favorável, que proporcionou safras recordes de cereais, leguminosas e oleaginosas, estabilidade dos preços internacionais das commodities agropecuárias e o aumento das exportações para a China.
Destaque para os itens de alimentação, os que mais contribuíram para a queda da inflação: arroz, feijão, tomate, leite longa vida, azeite, alho e batata-inglesa. Dos nove grandes grupos que formam o IPCA geral, o de bebidas e alimentação apresentou a maior queda de preços.
Favorecidos pela estabilidade cambial, os produtos eletroeletrônicos como televisão, som, aparelhos telefônicos e informática também apresentaram quedas expressivas de preços em 2025.
O aumento das exportações teve papel importante no comportamento da inflação, ao gerar divisas para o país. Mesmo enfrentando os efeitos do aumento das tarifas comerciais impostas pelo governo americano, o Brasil conseguiu aumentar suas exportações, produzindo um saldo da balança comercial de US$ 68,29 bilhões (exportações de US$ 348,67 bilhões e importações de US$ 280,38 bilhões), irrigando o mercado doméstico de dólares que ajudaram a manter a estabilidade cambial.
As maiores altas, que pressionaram a inflação, vieram da energia elétrica residencial, educação (cursos regulares), café moído, planos de saúde, passagens aéreas, corridas de carros de aplicativos, aluguel residencial e medicamentos.
Ao longo do ano deu-se um confronto de duas forças antagônicas.
De um lado, o Banco Central praticou uma política monetária contracionista, elevando os juros básicos a 15% para desacelerar a atividade econômica e conter a inflação. Do outro, o governo federal seguindo sua já conhecida política fiscal expansionista, com intenção de estimular o crescimento econômico, avançando em políticas de estímulo ao consumo com expansão de programas sociais de transferência de renda, crédito subsidiado e benefícios tributários setoriais. Esse expansionismo, aliado a outros fatores mercadológicos favoráveis, aumentaram a renda média do trabalho, mantiveram o mercado de trabalho aquecido e taxas de desemprego baixas. A consequência foi a expansão do consumo, que ajudou a pressionar a inflação de serviços.
Com a inflação em 4,26% e tendência de queda para 4% em 2026, estão estabelecidas as condições macroeconômicas para o Banco Central iniciar o ciclo de redução da Selic a partir do primeiro trimestre do ano que se inicia.
A melhora contínua da trajetória da inflação, as boas expectativas de agentes financeiros e analistas de mercado, tornam quase impraticável o Banco Central encontrar argumentação econômica fundamentada para continuar mantendo a taxa básica de juros em 15% (juros reais de 9,5%). Mesmo se a autoridade monetária considerar que o movimento de queda da inflação de serviços ainda não esteja plenamente maduro, é preciso considerar o cenário propício estimado para 2026 nas áreas de comércio exterior, mercado de trabalho, consumo das famílias e das empresas, safra de grãos, expansão do investimento e o compromisso da equipe econômica de zerar o déficit primário, conforme consta na lei orçamentária anual, aprovada pelo congresso nacional.
As ameaças são o cenário econômico mundial que, apesar da previsão de crescimento moderado para 2026, pode sofrer alterações abruptas ocasionadas por movimentações comerciais e geoeconômicas inesperadas de Donald Trump, presidente dos Estado Unidos.
No âmbito doméstico, as eleições presidenciais e de governadores empenhados na reeleição ou manutenção do seu grupo político no poder, podem incentivar decisões de expansão de gastos públicos. Caso tais gastos aconteçam acima do que já está precificado por agentes do mercado, podem aumentar incertezas e piorar as expectativas, contaminando câmbio, juros futuros e decisões de investimento.
Compartilho a expectativa que o movimento de redução dos juros terá início em março, com várias reduções nas reuniões seguintes do Comitê de Política Monetária, devendo o ano de 2026 terminar com a Selic entre 11,75% e 12,25%. Ademais, é seguir observando, acompanhando e monitorando.
(*) VIVALDO LOPES é professor, economista e ex-secretário de Fazenda de Cuiabá e de Mato Grosso.
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