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Artigos Terça-feira, 03 de Março de 2026, 07:45 - A | A

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Terça-feira, 03 de Março de 2026, 07h:45 - A | A

HEUKE CAPISTRANO

A Rainha do Tabuleiro: O que o Estigma da Mulher Troféu Não nos Deixa Ver

HEUKE CAPISTRANO

Existe uma imagem que atravessa os séculos e ainda provoca um nó na garganta de quem a observa com atenção: o quadro "O Casamento Desigual", pintado por Vasily Pukirev em 1862. Nele, uma jovem de olhar caído é unida a um homem muito mais velho, cercado de medalhas e de uma aura de posse. Durante muito tempo, essa cena foi lida apenas como o retrato de um sacrifício, onde a beleza feminina servia de adorno para o prestígio masculino. No entanto, se olharmos para essa mesma dinâmica com os olhos de hoje, surge um paradoxo fascinante. O que o mundo costuma rotular apressadamente como trophy wife pode esconder, na verdade, uma das formas mais silenciosas e eficazes de estratégia e inteligência.

O senso comum é rápido em julgar. Quando vemos uma mulher que opta por relacionamentos com homens poderosos ou bem mais velhos, a tendência cultural é questionar seu intelecto ou sua autonomia. Fala-se em comodismo, ausência de estudos ou pressões familiares e religiosas. Mas será que essa visão não é, por si só, um preconceito disfarçado de proteção? A ideia de que a beleza e o conhecimento são forças opostas é um dos mitos mais persistentes da nossa sociedade. Como se, ao cuidar da estética ou aceitar um papel de destaque social ao lado de alguém, a mulher automaticamente anulasse sua capacidade de pensar, planejar e construir.

É preciso um olhar atento para diferenciar as escolhas. Existe a mulher que se dedica ao lar por vocação, cuidando do microssistema familiar com maestria, e existe aquela que, ocupando uma posição de visibilidade, decide transformar essa vitrine em um verdadeiro escritório de influência. Muitas mulheres ao longo da história entenderam que o acesso ao topo da pirâmide social não é um fim, mas um meio. Elas não são desprovidas de inteligência; ao contrário, são estrategistas conscientes que utilizam sua posição para erguer impérios que o mundo, muitas vezes, não vê.

Temos exemplos contemporâneos que ilustram essa força de maneira admirável. Vicky Safra é um nome que ressoa com elegância e poder no Brasil e no mundo. Embora inserida em um contexto de enorme riqueza e tradição, sua trajetória é marcada por uma dedicação profunda à filantropia e à preservação de um legado familiar e bancário. Ela não é apenas uma figura ao lado de um nome forte; ela é o pilar que sustenta e expande esse nome através de ações sociais de impacto. Da mesma forma, olhamos para a história de Mileva Marić, a primeira esposa de Albert Einstein. Muitas vezes reduzida ao papel de esposa de um gênio, ela era uma física brilhante cuja colaboração intelectual foi vital. Essas trajetórias nos mostram que estar "na retaguarda" pode ser, na verdade, uma posição de comando discreto.

Até que ponto, então, ser vista como um "troféu" é algo depreciativo? Talvez o preconceito esteja nos olhos de quem vê, e não na vida de quem vive. Muitas mulheres inteligentes redefiniram esse lugar, transformando o que parecia ser uma gaiola de ouro em um mirante de oportunidades. Elas gerem fundações, influenciam decisões econômicas e garantem a continuidade de linhagens de sucesso, tudo isso enquanto mantêm a harmonia de suas famílias. Elas entenderam que a independência não precisa ser barulhenta para ser real.

Ao final dessa reflexão, o convite que fica é para mudarmos o foco da nossa lente. Em vez de perguntarmos por que algumas mulheres escolhem o conforto ou a beleza como parte de suas vidas, deveríamos nos perguntar o que elas estão construindo com as ferramentas que têm em mãos. Se a beleza é usada para abrir portas e a inteligência para mantê-las abertas, talvez o troféu não seja ela, mas sim a vida que ela arquitetou para si. O verdadeiro empoderamento, afinal, não reside em seguir um roteiro pré-aprovado de independência, mas na liberdade absoluta de decidir qual papel desempenhar no teatro da existência, sem que o olhar alheio defina a profundidade do seu intelecto. O verdadeiro poder pode não estar em quem brilha sob os holofotes, mas naquela que, com inteligência e um sorriso sereno, decide exatamente onde e como quer estar. Afinal, em um tabuleiro de xadrez, a Rainha é a peça mais poderosa, e ela raramente precisa provar sua força para quem está apenas observando o jogo de longe.

(*) HEUKE CAPISTRANO é Analista Advogada-Servidora Publica. Chefe do Departamento Jurídico da EMPAER-MT.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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