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Artigos Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 09:20 - A | A

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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 09h:20 - A | A

VIVALDO LOPES

Estabilidade do emprego em Mato Grosso

VIVALDO LOPES

Reprodução

VIVALDO LOPES

Na última sexta feira (14), IBGE e FGV, duas das mais respeitadas instituições brasileiras, publicaram pesquisas sobre emprego que, mesmo realizadas de forma independente, mostram um cenário de estabilidade do emprego no Brasil, na região Centro Oeste e em Mato Grosso.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad-C), do trimestre móvel findo em junho (IBGE), mostra que a taxa de desemprego no país está em 5,4%, a menor da série histórica iniciada em 2012, mostrando estabilidade e até redução em relação ao trimestre anterior e ao mesmo trimestre de 2025. A Região Sul apresenta a menor taxa de desemprego, de 3,2%, mas o Centro Oeste se aproxima do mesmo nível, com taxa de 3,8%.
Os estados com as menores taxas de desemprego são Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%).

A pesquisa Sondagem do Mercado de Trabalho, da FGV, realizada durante o mês de julho, é feita ouvindo diretamente trabalhadores de todos os segmentos e regiões e busca levantar o nível de confiança dos empregados sobre a perspectiva de manter ou perder o emprego nos próximos meses.
Dos trabalhadores ouvidos, 59,3% responderam ser muito improvável ou improvável perder o seu emprego ou sua principal fonte de renda nos próximos meses.

Mesmo em um ambiente de desaceleração da atividade econômica e retração do setor de serviços, responsável por mais de 60% dos empregos do país, os responsáveis pela pesquisa da FGV respondem que, apesar dos dados do IBGE demonstrarem retração, é provável que as empresas do setor não tenham ainda decidido por demissões em massa, salvo algumas exceções de casos já conhecidos de empresas que já enfrentam há anos problemas de gestão, excesso de endividamento e passam por processos de reestruturação.

O comércio do varejo restrito, setor que emprega muito, além de apresentar leve crescimento no volume de vendas em junho e julho, é favorecido pela contratação de vagas temporárias no segundo semestre. Dessa forma, a expectativa do trabalhador é de uma economia mais aquecida no segundo semestre do ano aumentando a demanda por mais postos de trabalho, o que historicamente sempre ocorreu, especialmente no comércio varejista.

Além de datas tradicionais como Dia da Criança e Natal, este ano teremos eleições gerais. O conjunto desses fatores pode ter contribuído para a visão mais confiante por parte dos trabalhadores.

A acelerada expansão da agropecuária e da agroindústria explica parte do aumento do emprego na região Centro Oeste e em Mato Grosso. Não significa que o agronegócio responde diretamente pela maior parte dos empregos. Segundo pesquisa do IBGE, no Brasil, o setor agropecuário é responsável por 8% dos empregos formais. Todavia, com a expansão da produção e industrialização o setor impulsiona postos de trabalho em outros segmentos como comércio, agroindústria, logística e inovação tecnológica.

A elevada taxa de juros, instabilidade fiscal doméstica e as incertezas internacionais causadas por insanas guerras e sobretaxas no comércio global atuam como vetores inibidores do aumento da atividade econômica geral e, mais especificamente, no setor de serviços que é o que mais gera empregos.

As duas pesquisas demonstram que, mesmo nesse ambiente hostil, o mercado de trabalho brasileiro prossegue resistente e aquecido.

(*) VIVALDO LOPES é economista.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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