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Artigos Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026, 08:49 - A | A

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Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026, 08h:49 - A | A

VANESSA MARQUES

Espetacularização da política

Trump ataca a Venezuela: a comunicação no centro das decisões

VANESSA MARQUES

A operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura de Nicolás Maduro, vai além de um episódio de política externa. Ela se encaixa em uma estratégia de comunicação desenhada para produzir impacto simbólico e disputar legitimidade no cenário global.

Desde o início, o episódio foi convertido em uma narrativa de alcance internacional, sustentada por imagens, pronunciamentos oficiais, vazamentos calculados e ampla cobertura da imprensa. A ação foi direcionada tanto ao público internacional quanto à opinião pública norte-americana, reforçando uma lógica em que o efeito simbólico do gesto se sobrepõe ao debate sobre seus fundamentos jurídicos ou políticos. Nesse enquadramento, a política aparece menos como negociação e mais como encenação de poder. Essa dinâmica dialoga com a leitura de Guy Debord, para quem o espetáculo não é um excesso da política contemporânea, mas o seu próprio modo de funcionamento.

Há ainda um aspecto pouco explorado no debate imediato: o uso desse tipo de operação como instrumento de deslocamento da atenção pública. Ao criar um evento internacional de grande repercussão, o governo de Donald Trump altera o foco do noticiário e do debate interno, reduzindo a visibilidade de problemas domésticos persistentes, como o aumento do custo de vida, a pressão inflacionária e o desgaste em torno de temas sociais e institucionais. A política externa, quando apresentada de forma espetacularizada, costuma cumprir esse papel de reorganizar prioridades narrativas.

Essa lógica é característica da comunicação política da direita conservadora contemporânea, influenciada por figuras como Steve Bannon. Trata-se de uma gramática baseada na dramatização permanente, na construção de inimigos externos e na simplificação do debate político em narrativas de confronto e urgência.

Assim, o espetáculo deixa de ser acessório e passa a operar como método de governo, algo que analiso de forma sistemática em minha dissertação de mestrado. Como observa Benjamin Moffitt, o populismo contemporâneo se estrutura pela performance constante da crise, da excepcionalidade e do conflito, elementos centrais na consolidação da liderança política.

Por fim, é importante lembrar que ações militares dessa natureza produzem forte impacto sobre a opinião pública norte-americana. Trump demonstra saber explorar esse sentimento ao enquadrar a ofensiva dentro de uma lógica neopopulista, marcada pelo fortalecimento da figura do líder, pela construção de um inimigo comum e pela mobilização de valores conservadores como patriotismo e ordem. Nesse contexto, a ação externa deixa de ser apenas uma decisão estratégica e passa a funcionar como mensagem política dirigida ao eleitorado interno, reforçando o medo e a sensação de ameaça como instrumentos de mobilização política.

(*) VANESSA MARQUES é Jornalista, professora e palestrante. Mestre em Comunicação pela Universidade de Valência (Espanha) e pós-graduada em Economia e Ciência Política. Atua há 20 anos na comunicação política, sendo 13 anos na Câmara dos Deputados.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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