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Artigos Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026, 09:28 - A | A

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Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026, 09h:28 - A | A

KARLA MERCEDES

Envelhecer com qualidade exige atenção também à saúde pélvica

KARLA MERCEDES

Reprodução

KARLA MERCEDES

O envelhecimento da população brasileira trouxe novos desafios para a saúde pública e para a qualidade de vida. Hoje, viver mais deixou de ser o único objetivo. O que se busca é envelhecer com autonomia, independência e bem-estar. Nesse contexto, um tema ainda pouco discutido merece atenção: a saúde pélvica.

Responsável por sustentar órgãos como bexiga, útero e intestino, a musculatura do assoalho pélvico exerce funções essenciais para o controle urinário e intestinal, além de influenciar diretamente a saúde sexual e a estabilidade do tronco. Com o passar dos anos, alterações hormonais, perda de massa muscular, cirurgias, gestações e doenças crônicas podem comprometer essa estrutura, favorecendo o surgimento de disfunções.

Entre os sintomas mais comuns estão a perda involuntária de urina, sensação de peso na região pélvica, dores, constipação intestinal e desconforto durante as relações sexuais. Apesar de frequentes, essas alterações não devem ser encaradas como consequência natural do envelhecimento.

Infelizmente, muitas pessoas ainda convivem com esses sintomas por vergonha ou por acreditarem que não existe tratamento. Esse tabu faz com que o diagnóstico seja tardio, comprometendo a qualidade de vida e limitando atividades simples do cotidiano.

A boa notícia é que a fisioterapia pélvica tem avançado significativamente nos últimos anos e hoje oferece recursos eficazes para prevenção, tratamento e reabilitação dessas condições. Em muitos casos, um acompanhamento individualizado permite reduzir sintomas, fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e evitar procedimentos mais invasivos. Quando necessário, esse cuidado pode ser complementado por outras abordagens voltadas à promoção da saúde, como a orientação nutricional e a prática de pilates, que auxiliam no fortalecimento muscular, na postura e na funcionalidade do corpo.

Esse cuidado não se restringe às mulheres. Homens, especialmente após cirurgias urológicas, e crianças com alterações urinárias e intestinais também podem se beneficiar do acompanhamento especializado, sempre de acordo com indicação clínica.

Na prática, observa-se um aumento na procura por atendimentos preventivos, refletindo uma mudança de comportamento da população. Cada vez mais pessoas buscam avaliação antes do agravamento dos sintomas, entendendo que prevenir é tão importante quanto tratar.

Mais do que tratar doenças, é preciso investir em prevenção. Assim como fazemos exames periódicos, mantemos uma alimentação equilibrada e praticamos atividade física para preservar a saúde do corpo, cuidar da musculatura do assoalho pélvico também deve fazer parte dessa rotina.

Falar sobre saúde pélvica é incentivar o diagnóstico precoce, reduzir preconceitos e ampliar o acesso a tratamentos que contribuem para um envelhecimento mais saudável. Afinal, viver mais só faz sentido quando é possível viver melhor.

(*) KARLA MERCEDES é fisioterapeuta em saúde pélvica e proprietária da Uropelv, clínica especializada em saúde uropélvica, nutrição e pilates, localizada em Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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