Imagine que você está diante de uma decisão importante para a sua empresa.
Antes de agir, resolve consultar uma ferramenta de Inteligência Artificial. Em poucos segundos, ela analisa informações, organiza dados, apresenta cenários e até sugere qual caminho parece ser o mais adequado.
A recomendação faz sentido.
Mas a decisão é realmente da IA?
Acredito que esse seja um dos maiores equívocos sobre a tecnologia.
Existe uma expectativa de que a Inteligência Artificial seja capaz de resolver qualquer problema e indicar sempre a melhor resposta. Na prática, ela é uma ferramenta extremamente poderosa para apoiar decisões, mas não para assumir a responsabilidade por elas.
Pense em um sistema de GPS.
Ele pode indicar o caminho mais rápido para chegar ao seu destino. Mas quem decide seguir aquela rota, mudar o percurso ou parar no meio do caminho é o motorista.
Com a Inteligência Artificial acontece algo muito parecido.
Ela consegue analisar um volume de informações que seria impossível para uma pessoa processar em poucos segundos. Pode identificar padrões, comparar cenários, resumir documentos e até apontar riscos que passariam despercebidos.
Mas ela não conhece completamente o contexto do seu negócio.
Não participou das negociações mais importantes da empresa.
Não entende a cultura da organização.
Não conhece a história construída com seus clientes.
E, principalmente, não assume as consequências de uma decisão.
É justamente por isso que vejo a Inteligência Artificial como uma excelente conselheira, mas nunca como a responsável pela decisão final.
Imagine um gestor que recebe da IA a sugestão de reduzir investimentos em determinado produto porque as vendas diminuíram nos últimos meses.
Os números podem estar corretos.
Mas e se aquele produto fizer parte de uma estratégia maior?
E se uma nova campanha de marketing estiver prestes a começar?
E se houver um contrato importante dependendo daquela linha de produtos?
Essas informações nem sempre estão disponíveis para a Inteligência Artificial.
Quem conhece esse contexto é o gestor.
Outro exemplo acontece na área comercial.
Uma ferramenta de IA pode indicar quais clientes têm maior probabilidade de realizar uma compra.
Essa informação é extremamente útil.
Mas ela não substitui o olhar do vendedor, que conhece o histórico do cliente, entende o momento da negociação e percebe detalhes que dificilmente aparecem em uma planilha.
Quanto mais utilizo Inteligência Artificial no meu dia a dia, mais percebo que seu maior valor não está em decidir por nós.
Está em ampliar nossa capacidade de análise.
Ela reduz o tempo gasto com atividades repetitivas, organiza informações e apresenta possibilidades que talvez não fossem consideradas.
Isso faz com que as pessoas possam dedicar mais tempo ao pensamento estratégico.
Na minha visão, esse é o verdadeiro papel da IA.
Não substituir o julgamento humano.
Mas fortalecer a qualidade das decisões.
É claro que isso exige responsabilidade.
Nenhuma informação gerada por Inteligência Artificial deve ser aceita sem uma análise crítica.
Assim como consultamos especialistas, avaliamos diferentes opiniões e conferimos dados antes de tomar decisões importantes, também devemos fazer isso com as respostas produzidas pela IA.
A confiança cega nunca foi uma boa estratégia.
Nem com pessoas.
Nem com tecnologia.
A Inteligência Artificial continuará evoluindo rapidamente.
Ela será cada vez mais presente nas empresas, apoiando gestores, vendedores, profissionais da saúde, advogados, professores e tantas outras áreas.
Mas existe algo que continuará sendo exclusivamente humano.
A responsabilidade pelas decisões.
Talvez o futuro não seja formado por empresas onde a Inteligência Artificial decide por pessoas.
Mas por empresas onde pessoas bem preparadas utilizam a Inteligência Artificial para tomar decisões cada vez melhores.
Porque, no fim das contas, a tecnologia pode indicar o caminho.
Mas quem escolhe por onde seguir continuará sendo você.
(*) EDUARDO DREYER é graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós-graduado em Engenharia de Software e MBA em Inteligência Artificial e Automação de Negócios. Atua com tecnologia e transformação digital.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









