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Artigos Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 09:27 - A | A

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Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 09h:27 - A | A

EDUARDO DREYER

Quem toma a decisão: você ou a Inteligência Artificial?

EDUARDO DREYER

EDUARDO DREYER

Imagine que você está diante de uma decisão importante para a sua empresa.

Antes de agir, resolve consultar uma ferramenta de Inteligência Artificial. Em poucos segundos, ela analisa informações, organiza dados, apresenta cenários e até sugere qual caminho parece ser o mais adequado.

A recomendação faz sentido.

Mas a decisão é realmente da IA?

Acredito que esse seja um dos maiores equívocos sobre a tecnologia.

Existe uma expectativa de que a Inteligência Artificial seja capaz de resolver qualquer problema e indicar sempre a melhor resposta. Na prática, ela é uma ferramenta extremamente poderosa para apoiar decisões, mas não para assumir a responsabilidade por elas.

Pense em um sistema de GPS.

Ele pode indicar o caminho mais rápido para chegar ao seu destino. Mas quem decide seguir aquela rota, mudar o percurso ou parar no meio do caminho é o motorista.

Com a Inteligência Artificial acontece algo muito parecido.

Ela consegue analisar um volume de informações que seria impossível para uma pessoa processar em poucos segundos. Pode identificar padrões, comparar cenários, resumir documentos e até apontar riscos que passariam despercebidos.

Mas ela não conhece completamente o contexto do seu negócio.

Não participou das negociações mais importantes da empresa.

Não entende a cultura da organização.

Não conhece a história construída com seus clientes.

E, principalmente, não assume as consequências de uma decisão.

É justamente por isso que vejo a Inteligência Artificial como uma excelente conselheira, mas nunca como a responsável pela decisão final.

Imagine um gestor que recebe da IA a sugestão de reduzir investimentos em determinado produto porque as vendas diminuíram nos últimos meses.

Os números podem estar corretos.

Mas e se aquele produto fizer parte de uma estratégia maior?

E se uma nova campanha de marketing estiver prestes a começar?

E se houver um contrato importante dependendo daquela linha de produtos?

Essas informações nem sempre estão disponíveis para a Inteligência Artificial.

Quem conhece esse contexto é o gestor.

Outro exemplo acontece na área comercial.

Uma ferramenta de IA pode indicar quais clientes têm maior probabilidade de realizar uma compra.

Essa informação é extremamente útil.

Mas ela não substitui o olhar do vendedor, que conhece o histórico do cliente, entende o momento da negociação e percebe detalhes que dificilmente aparecem em uma planilha.

Quanto mais utilizo Inteligência Artificial no meu dia a dia, mais percebo que seu maior valor não está em decidir por nós.

Está em ampliar nossa capacidade de análise.

Ela reduz o tempo gasto com atividades repetitivas, organiza informações e apresenta possibilidades que talvez não fossem consideradas.

Isso faz com que as pessoas possam dedicar mais tempo ao pensamento estratégico.

Na minha visão, esse é o verdadeiro papel da IA.

Não substituir o julgamento humano.

Mas fortalecer a qualidade das decisões.

É claro que isso exige responsabilidade.

Nenhuma informação gerada por Inteligência Artificial deve ser aceita sem uma análise crítica.

Assim como consultamos especialistas, avaliamos diferentes opiniões e conferimos dados antes de tomar decisões importantes, também devemos fazer isso com as respostas produzidas pela IA.

A confiança cega nunca foi uma boa estratégia.

Nem com pessoas.

Nem com tecnologia.

A Inteligência Artificial continuará evoluindo rapidamente.

Ela será cada vez mais presente nas empresas, apoiando gestores, vendedores, profissionais da saúde, advogados, professores e tantas outras áreas.

Mas existe algo que continuará sendo exclusivamente humano.

A responsabilidade pelas decisões.

Talvez o futuro não seja formado por empresas onde a Inteligência Artificial decide por pessoas.

Mas por empresas onde pessoas bem preparadas utilizam a Inteligência Artificial para tomar decisões cada vez melhores.

Porque, no fim das contas, a tecnologia pode indicar o caminho.

Mas quem escolhe por onde seguir continuará sendo você.

(*) EDUARDO DREYER é graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós-graduado em Engenharia de Software e MBA em Inteligência Artificial e Automação de Negócios. Atua com tecnologia e transformação digital.

 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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