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Artigos Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 13:40 - A | A

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 13h:40 - A | A

FERNANDA ESCOUTO

A busca pelo quase inalcançável amor próprio

FERNANDA ESCOUTO

Acervo Pessoal

fernanda escouto

Muito se fala sobre amor próprio. Há um reforço quase máximo dentro dos consultórios de psicologia e uma espécie de positividade tóxica sobre o assunto nas redes sociais.

Mas, afinal, como esse amor chega até a gente ou a gente chega até ele?

Será que existe uma técnica, como andar de bicicleta? Ou funciona como ir ao mercado, passar por uma prateleira e escolher um potinho deste produto?

Tenho 38 anos e essa busca está sempre presente. Em anos de terapia, já ouvi um bocado de vezes que deveria ser mais carinhosa, empática e paciente comigo. Disseram, de diferentes formas, que esse seria o começo de uma história de amor entre mim e eu mesma.

Só que a vida não funciona como uma fórmula de matemática. Como ecoava Gal Costa: “Meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo. Tudo certo como dois e dois são cinco”.

A vida é quase um enredo de Kubanacan, aquela novela dos anos 2000 em que o roteiro parecia ter sido escrito em uma noite de bebedeira do autor.

Não sei exatamente por qual porta o amor próprio entra. Talvez ele chegue com uma roupa nova, com um corte de cabelo desejado há anos, com boas amizades, um trabalho menos desgastante ou até com aquele relacionamento seguro.

Não posso dar um veredito, mas garanto que tudo isso fica muito mais gostoso quando se tem esse sentimento.

Você provavelmente está esperando que eu entregue o resultado final, o passo a passo para conquistar esse troféu pessoal. Eu não tenho. Ainda desconheço como se ganha essa disputa. Porém, sei como ela é perdida.

Se perde em uma amizade tóxica, em um romance que te gere insegurança, em um emprego desanimador. Enfim, a lista pode ser grande.

Entretanto, quando a vitória vem, meu amigo... Você fica tão imenso, tanto quanto o céu.

É óbvio que dias ruins chegarão. O espelho de casa vai, vez ou outra, te trazer más notícias, a balança pode se tornar uma rival. A saúde mental instável pode tentar arrancar o seu prêmio de primeiro lugar quando o assunto é cuidado próprio.

Mas aí vem o que eu trouxe no começo: empatia, paciência e carinho consigo mesmo.

Ainda não cheguei ao topo desse amor e talvez ninguém chegue por completo. São pequenos passos diante de uma vida curta e um pouco dura.

Ignore esses vídeos nas redes sociais que cobram esse sentimento. Porque, além de não conseguir, você ainda vai se sentir culpado por não gostar de si.

Vão te culpar por coisas que você aprendeu a tolerar ou até mesmo precisou tolerar. Fuja disso, pule esse “reels”.

O amor próprio vem com auxílios externos, mas ainda assim a luta é sua com você mesmo.

Para que você entenda de forma didática e extremamente cafona: nesta novela, pode haver vários coadjuvantes, mas infelizmente a Helena de Manoel Carlos é você. Sinto muito, mas não há outro jeito.

*Fernanda Escouto, jornalista

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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