Os produtores de Mato Grosso enfrentam dificuldades no escoamento da safra em razão de gargalos logísticos que elevam custos e reduzem a previsibilidade do transporte. No corredor que conecta o estado ao distrito de Miritituba, no Pará, a saturação operacional e as limitações de infraestrutura têm ampliado o tempo de viagem e pressionado os valores do frete, com impactos diretos sobre a rentabilidade.
Dados da movimentação portuária indicam crescimento expressivo da demanda na região. Em 2025, o volume transportado para Miritituba atingiu cerca de 15,3 milhões de toneladas, aumento de 24,6% em relação ao ano anterior. A expansão, porém, não foi acompanhada por melhorias na infraestrutura de acesso aos terminais, o que reduz a eficiência logística justamente no período de maior concentração de embarques.
De acordo com o vice-presidente norte da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Ilson José Redivo, o crescimento da produção contrasta com as condições precárias das rodovias. "Há trechos finais de acesso que não são asfaltados. Em períodos de chuva, caminhões precisam ser rebocados um a um em subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros", afirmou.
O custo do transporte entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) chegou a R$ 20 por saca, segundo Redivo. Considerando que a soja é comercializada próxima de R$ 106 brutos e menos de R$ 100 líquidos após encargos, o frete compromete significativamente a margem do produtor. O dirigente também alertou para o déficit de armazenagem no estado, estimado em cerca de 52% do volume produzido, o que obriga o escoamento acelerado.
Em Santa Rita do Trivelato, a produtora Katia Hoepers relatou que os custos operacionais e a estrutura insuficiente nos pontos de recebimento agravam o cenário. "O que mais impacta a rentabilidade é o frete e o custo do diesel. Falta estrutura no porto para receber os caminhões e tudo acaba travando", disse.
Produtor na região de Alta Floresta, Mateus Berlanda acrescentou que as dificuldades começam nas estradas regionais. "Há muitos trechos de estrada de chão, pontes e bueiros danificados. Em períodos críticos, os caminhões não conseguem avançar", explicou, mencionando ainda filas de três a quatro dias nos armazéns.
O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, afirmou que o setor produtivo contribui com o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) sem perceber retorno efetivo em infraestrutura. "Em um cenário de margens apertadas, é necessário reavaliar o Fethab. O produtor não pode seguir arcando com esse custo sem resultados concretos", declarou.
Enquanto aguarda a conclusão de um novo acesso pavimentado a Miritituba, prevista para novembro de 2026, o setor produtivo aposta em medidas complementares como o fortalecimento da armazenagem rural e a retomada de projetos estruturantes. A Ferrogrão, ainda não leiloada, é apontada como alternativa estratégica para reduzir a pressão sobre a BR-163 ao transferir parte das cargas para o modal ferroviário.
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