O Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou a favor da condenação do influenciador Renato Cariani, além de Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Os três foram responsáveis pelo desvio de 12 toneladas de insumos químicos para produzir 15 toneladas drogas, como crack e cocaína.
As apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP revelaram que o esquema envolvia a emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas para vender produtos químicos, em São Paulo, por meio de “laranjas” — que faziam depósitos em espécie como se fossem funcionários de grandes multinacionais — e vítimas que figuraram como compradoras.
Cariani tinha outro papel, ainda mais central no esquema. O influencer se tornou dono de uma empresa de alta credibilidade e licenciada na venda desses insumos, no entanto, como chefe e formado em química, utilizou da posição de poder e conhecimentos para cadastrar informações falsas no Sistema de Controle e Fiscalização de Produtos Químicos da Polícia Federal (PF) para mascarar as suspeitas de tráfico de drogas.
O réu Fábio Spinola Mota utilizava um email falso para se passar por uma grande empresa farmacêutica e de biotecnologia. Assim, o esquema conseguiu credibilidade para comprar os insumos — fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila — na empresa de Cariani. Segundo o MPSP, Rodrigo Gomes Pereira também compartilhavam a função de adquirir os produtos químicos.
Como a venda no papel era direcionada a uma empresa farmacêutica que não sabia da transação, os produtos químicos reais eram retirados fisicamente na sede do fornecedor por terceiros e encaminhados diretamente para o narcotráfico — a partir daí, eram usados na preparação, refino e “batismo” de cocaína e crack.
O esquema de tráfico de drogas resultou no montante de quase R$ 2,5 milhões depositados em espécie, de acordo com o MPSP.
Segundo o documento da Promotoria, foram identificadas 59 transações financeiras fraudulentas vinculadas à atuação da organização criminosas ocorridas entre anos de 2014 e 2020.
“Segundo a análise que a gente fez através da nossa perícia, foram 12 toneladas de produtos desviados no período. A partir dessas 12 toneladas, entraram no mercado de consumo de drogas cerca de 15 toneladas de crack”, disse Fabrizio Galli, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF, ao Metrópoles.
Leia nota da defesa de Renato Cariani
Recebemos com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público. Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa.
O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes.
Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani.
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