Quebrar um dente no feriado costuma acontecer do jeito mais comum e mais frustrante possível: uma mordida desatenta em algo duro, uma queda em casa, um acidente durante um esporte ou até o hábito de usar os dentes como “ferramenta” para abrir embalagens. E, quando isso ocorre em cidades com poucos dentistas de plantão, a dúvida vira urgência: dá para esperar o próximo dia útil ou é caso de procurar ajuda imediatamente?
Marina Lua Manfrin Martins, mestre e especialista em Periodontia, especialista em Dentística e docente do curso de Odontologia da Estácio, explica que as fraturas dentárias estão entre os traumas bucais mais frequentes e, muitas vezes, poderiam ser evitadas com mudanças simples. “As fraturas acontecem, principalmente, ao morder alimentos muito duros, em quedas e acidentes domésticos ou esportivos, e também em pessoas que apertam ou rangem os dentes”, orienta. Para prevenir, a recomendação é evitar alimentos muito rígidos, usar protetor bucal em esportes de impacto e buscar avaliação odontológica em casos de desgaste excessivo, como no bruxismo.
Quando (não) esperar
Nem toda fratura exige corrida imediata ao pronto atendimento, mas alguns sinais não devem ser ignorados. Se a fratura é pequena e não há dor intensa, sangramento ou inchaço, geralmente é possível aguardar o próximo dia útil. O risco maior aparece quando o dente quebra e o corpo indica que algo mais sério pode estar acontecendo.
Segundo Marina, o atendimento imediato é indicado quando existe dor forte, sensibilidade intensa ao frio ou ao calor, sangramento persistente, inchaço no rosto ou na gengiva, ou quando a fratura está associada a quedas e acidentes. A lógica é simples: quanto maior o trauma, maior também o risco de complicações, inclusive de perda do dente.
Quando, além do incômodo estético, surge dor forte ou sensibilidade exagerada, é provável que a fratura tenha atingido camadas internas. A professora alerta que isso pode indicar exposição do nervo, trincas profundas ou inflamação da polpa dentária. Sem tratamento, o quadro pode piorar, evoluindo para infecção.
Primeiros socorros
Quando o feriado ou o fim de semana limita o acesso ao consultório, o mais importante é fazer o básico para controlar o desconforto e evitar piora. Se houver sangramento, cortes ou inchaço, a orientação é lavar a boca suavemente com água limpa, fazer compressão com gaze e aplicar compressa fria externamente no rosto para reduzir dor e inflamação. Também é recomendado evitar mastigar do lado afetado e manter higiene cuidadosa, sem “cutucar” a região.
Outro ponto fundamental é não apelar para soluções caseiras. Nada de substâncias na ferida ou combinações de medicamentos sem orientação profissional.
Em cidades pequenas, muitas pessoas acabam esperando tempo demais. Marina explica que, nos casos mais graves, o caminho mais seguro é procurar uma unidade de saúde para avaliação inicial. Se houver dor intensa, sangramento ou inchaço, a recomendação é buscar uma UPA ou hospital para controle dos sintomas e orientação, e depois procurar atendimento odontológico o quanto antes.
E se caiu o pedaço do dente?
Muita gente joga fora, mas o fragmento pode ajudar na reconstrução. A orientação é guardar o pedaço do dente e levar rapidamente ao dentista. O armazenamento deve ser feito em soro fisiológico, leite ou água filtrada, evitando deixar o fragmento seco, o que pode comprometer seu aproveitamento.
Na pressa, algumas atitudes pioram o problema. Marina reforça que não se deve colar o dente com supercola ou colas caseiras, nem tentar lixar ou “ajustar” o dente quebrado. Ignorar dor, sangramento ou inchaço também pode agravar o quadro e levar a complicações.
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