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Política Domingo, 27 de Setembro de 2026, 13:15 - A | A

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AUMENTO DE 15%

“Usando a dor para ter um cargo”: Em Cuiabá, Cury critica Lula por reajuste do Bolsa Família

Candidato do Avante classificou o aumento de 15% anunciado por Lula como eleitoral e defendeu permissão para beneficiários abrirem microempresas sem perder o auxílio

BIANCA MORTELARO E CAMILA RIBEIRO
Da Redação/ Do Local

Montagem HNT

AUGUSTO CURY E LULA

O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado durante o período eleitoral. Durante agenda em Cuiabá, nesta quinta-feira (24), Cury afirmou que o petista estaria utilizando a situação de vulnerabilidade dos beneficiários para obter vantagem política e declarou que Lula estaria “usando a dor para ter um cargo”.

“Lula, a 17 dias da eleição, deu 15% [no Bolsa Família] usando a dor das pessoas para ganhar um cargo. Isso daí é algo tão cruel, usando a dor para ter um cargo. Então, ele não é o pai da pobreza. Na verdade, ele é alguém que ama muito mais o poder pelo poder do que, de fato, retirar as pessoas da pobreza”, afirmou Cury durante coletiva de imprensa.

LEIA MAIS: Em Cuiabá, Cury detona Flávio Bolsonaro: "vive do serviço público desde os 22 anos"

O reajuste foi anunciado por Lula faltando 17 dias antes do primeiro turno. Com a medida, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, enquanto o benefício médio subirá de R$ 675 para R$ 777. Segundo o governo federal, a correção de 15,04% corresponde à inflação acumulada medida pelo INPC desde 2023 e tem como objetivo preservar o poder de compra das famílias.

Augusto também criticou o valor atualmente destinado às famílias beneficiárias e defendeu mudanças no modelo de transferência de renda, segundo ele o programa não seria suficiente para garantir as despesas básicas das famílias.

“Nós temos cerca de 19 a 20 milhões de famílias no Bolsa Família, que é completamente insuficiente para atender às necessidades básicas. 600 reais mais 150 por filho menor, pequeno, não dá dignidade nenhuma”, declarou.

Para estimular a formalização e o empreendedorismo entre os beneficiários, Cury propôs que pessoas atendidas pelo programa possam ter emprego com carteira assinada ou abrir uma microempresa sem perder imediatamente o benefício.

“Vai pagar a luz ou vai pagar aluguel? Não consegue ter dinheiro para decidir sobre o remédio ou sobre a comida. E nós vamos incentivar todas as famílias do Bolsa Família a terem uma microempresa ou assinar a carteira e não vão perder o benefício”, afirmou.

O candidato também disse que pretende manter o auxílio durante um período de transição para famílias que ingressarem no mercado formal ou iniciarem um negócio.

“Os pobres têm direito de ter carteira assinada sem perder o benefício e ter também uma microempresa, pelo menos por um certo tempo. Isso tudo vai melhorar demais. E, além disso, vamos dividir o BNDES em dois. O Banco da Grande Empresa e o Banco da Microempresa, logo na primeira semana”, disse.

Cury ainda afirmou que pretende ampliar o acesso ao crédito para pequenos negócios como parte de uma estratégia para enfrentar possíveis impactos da automação e da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho.

“E vamos financiar pelo menos 10 milhões a 15 milhões de empresas nos próximos anos, microempresas, para que as pessoas, quando tiverem a revolução da inteligência artificial e da robótica e que poderão ter cerca de milhões ou dezenas de milhões de desempregos, as pessoas tenham o plano B. Se não, vão para o plano C, e o plano C é terrível: você senta e chora”, declarou.

DEBATE NO JUDICIÁRIO 

A discussão sobre o reajuste também chegou ao Judiciário. Em 18 de setembro, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou regular a atualização de 15,04% e afirmou que a medida corresponde à correção monetária prevista no marco legal do programa, sem criação de novo benefício ou ampliação do número de beneficiários.

O governo federal informou que o reajuste terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. A medida começa a produzir efeitos financeiros em outubro.

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