Os candidatos ao Senado José Medeiros (PL) e Pedro Taques (PSB) partiram para o ataque e trocaram acusações de crimes durante o debate do G1 Mato Grosso, nesta quinta-feira (3). Medeiros chamou Taques de “caluniador” e “estelionatário”, enquanto o ex-governador o acusou de falsificar uma ata eleitoral para assumir a primeira suplência da chapa que disputou o Senado em 2010, o que culminou na cassação do mandato de Medeiros em 2018.
O confronto começou após Taques questionar Medeiros sobre o projeto do adversário que proíbe operações policiais contra candidatos eletivos nos seis meses que antecedem as eleições. Medeiros respondeu defendendo que o processo eleitoral deve ser preservado e criticou a possibilidade de operações judiciais durante o período de campanha. Ao se referir a Taques, relembrou impasses judiciais envolvendo o ex-governador e afirmou que lamentaria caso o adversário fosse alvo de uma operação em sua residência.
“Você foi acusado de chefe de organização criminosa. Eu lamentaria muito que durante o processo eleitoral viesse uma operação na sua casa por causa disso”, afirmou.
Medeiros disse ser favorável à investigação e punição de quem comete irregularidades, mas questionou o que classificou como risco de operações “casuísticas” em razão da atuação política do Judiciário.
Taques respondeu afirmando que não possui atualmente inquérito policial, ação penal ou ação de improbidade. Segundo ele, processos aos quais respondeu após deixar o governo foram arquivados.
“Eu devo ser um dos cinco ex-governadores do Brasil, ex-senador, que não tenho nenhum inquérito policial, nenhuma ação penal, nenhuma ação de improbidade”, declarou.
Na sequência, porém, Taques atacou Medeiros e resgatou o episódio envolvendo a composição da chapa de 2010, quando os dois concorreram juntos ao Senado. Medeiros foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) por falsificação de ata que teria alterado a ordem dos suplentes. Ele assumiu o mandato em 2015, depois que Pedro Taques deixou a cadeira para assumir o governo de Mato Grosso. Em 2018, Medeiros foi cassado no âmbito do processo que apurava a ata fraudulenta.
“Você só virou senador porque você falsificou a ata. Isso eu fui testemunha contra você”, afirmou Taques.
Medeiros negou a acusação e disse que nunca esteve no local onde, segundo ele, teria ocorrido a suposta adulteração do documento. Também afirmou que foi escolhido como primeiro suplente porque Taques queria alguém com ficha limpa e transparente para compor a chapa.
“Se alguém falsificou deliberadamente aquilo lá, não fui eu. Você sabe muito bem que não falsifiquei a ata e tenho a tranquilidade disso”, respondeu.
Taques insistiu na acusação e afirmou que Paulo Fiúza aparecia como primeiro suplente nos materiais de campanha, enquanto Medeiros seria o segundo. Ele disse ainda que prestou depoimento à Justiça Eleitoral sobre o caso.
“O Tribunal Regional Eleitoral decidiu isso. (...) Eu depus sobre isso dizendo exatamente o que estou dizendo aqui”, reforçou.
Medeiros voltou ao ataque e acusou Taques de fazer acusações que poderiam configurar crimes. Também afirmou que o então candidato teria apresentado versões diferentes sobre quem seria seu primeiro suplente durante a campanha.
“Você incorreu em duas coisas: é um caluniador, que é um crime, e o segundo você seria então um estelionatário. Você chegava em Rondonópolis e os seus discursos eram "Medeiros é meu primeiro suplente", você chegava em Sinop e eu tive notícia que você chamava o Paulo Fiúza de primeiro suplente. Então há um sério problema aí, você tem que decidir que tipo de cidadão você é: um caluniador, um chefe de organização criminosa ou um estelionatário”, disparou.
Taques encerrou a discussão afirmando que pretende retornar ao Senado para defender os interesses de Mato Grosso e que não pretende atuar em favor de interesses políticos do governo federal.
“Eu quero ser senador da República, não de presidente da República ou de ex-presidente da República”, afirmou.
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