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Política Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, 12:48 - A | A

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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, 12h:48 - A | A

DIVERGÊNCIA DE APOIO

Suplente renuncia cargo após embate com vereador: “não aguentava mais a pressão”

Parlamentar do PSD deixa a Casa de Leis da capital após se recusar a mudar apoio de Paula Calil para Ilde Taques e relatar intensas abordagens nos bastidores

BIANCA MORTELARO
Da redação

Reprodução/Câmara

ANTONIO LEMES

O suplente de vereador Antônio Lemes (PSD) renunciou ao mandato nesta quinta-feira (15) durante sessão plenária da Câmara Municipal de Cuiabá, após divergências com o titular, vereador Jefferson Siqueira (PSD), sobre a eleição da Mesa Diretora. A saída abre caminho para o retorno de Jefferson ao Legislativo e encerra a passagem temporária de Lemes pela Casa, marcada por pressões políticas e articulações em torno da disputa interna pelo comando da Câmara.

Ao discursar na tribuna, Lemes afirmou que a decisão foi motivada pelo impasse com Jefferson, que teria pedido apoio à candidatura de Ilde Taques (Podemos), enquanto o suplente decidiu permanecer ao lado de Paula Calil (PL) na disputa.

“A minha renúncia, ela se dá devido àquela questão que aconteceu aqui da eleição da Mesa. O vereador Jefferson Siqueira pediu 121 dias de afastamento, mas aí houve a questão da eleição da Mesa e ele queria que eu apoiasse o companheiro Ilde Taques, mas eu resolvi apoiar até o final a candidatura da Paula”, afirmou.

LEIA MAIS: Após relatar “pressão”, vereador troca apoio ao Dilemário Alencar por Ilde Taques

Lemes também declarou que, embora reconhecesse Jefferson como titular do mandato, não considerava que ele pudesse exigir sua saída antes do fim do afastamento. O suplente disse que optou pela renúncia para evitar o prolongamento do conflito e atribuiu a decisão a uma escolha política e de diálogo.

“Quem está na cadeira sou eu, eu vejo que eu não sou o titular, o titular é o pastor Jefferson Siqueira, e ele tentou retornar antes da eleição para a Mesa, não conseguiu, e não tem nenhum direito de me tirar dessa cadeira. Mas eu, por uma questão política, de diálogo com ele, resolvi renunciar a pedido dele. Jamais iria renunciar esse último mês aqui, porque tinha muita coisa para a gente dar”, justificou.

Após a sessão, em entrevista à imprensa, Lemes relatou ter enfrentado “pressão” e cobranças frequentes para mudar de posição na disputa pela Mesa Diretora. Conforme o parlamentar, as abordagens ocorreram inclusive em sua casa e por telefone, além de convites para participar de encontros políticos.

“Eu não aguentava mais a pressão na minha casa, no telefone, para me passar para esse lado, participar de um jantar. E eu acabei não participando desse almoço, mesmo tirando a foto, e foi aí que o Jefferson disse que levou prejuízos, como o presidente atual, o Ilde Taques, levou prejuízos políticos e, por isso, pede que eu renuncie”, relatou.

Apesar das cobranças, Lemes ponderou que não sofreu ameaças diretas. “Não chegou a ser ameaça. São pressões de diálogo, pressão política”, afirmou.

A renúncia foi formalizada por meio de uma carta apresentada e lida pelo vereador Rafael Ranalli (PL) durante a sessão. No documento, Lemes afirma que tomou a decisão de forma “livre, consciente e espontânea” e solicita que a saída seja registrada nos assentamentos da Câmara.

VEJA DISCURSO EM TRIBUNA

ASSISTA A LEITURA DA CARTA

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