O presidente do Partido Verde (PV) em Mato Grosso, José Roberto Stopa, confirmou neste domingo (16) que os vereadores por Cuiabá, Professor Mário Nadaf e Marcus Brito Jr., enfrentarão processos internos na Comissão de Ética da Executiva estadual. A medida é uma resposta direta ao descumprimento das orientações partidárias, uma vez que ambos declararam apoio à reeleição de Paula Calil (PL) para a presidência da Câmara Municipal, candidatura que conta com o respaldo do prefeito Abilio Brunini (PL), opositor ao grupo de Stopa.
Ao ser questionado sobre a existência de um possível entendimento com os parlamentares que optaram por seguir um caminho divergente do partido, o dirigente foi enfático ao sinalizar que a sigla não pretende recuar na aplicação das normas internas.
“Não houve ainda [decisão], mas está no Conselho de Ética. Isso será devidamente discutido na hora certa. Eles foram chamados, foram devidamente notificados. Eles têm direito a fazer a sua opção e nós temos direito a aplicar o Estatuto do Partido”, afirmou Stopa em entrevista ao HNT durante o ato de lançamento da campanha progressista, no Contorno Leste, em Cuiabá.
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O impasse interno ganhou força após Nadaf e Marcus Brito Jr. protocolarem projetos que facilitariam a candidatura de Paula Calil. Enquanto Nadaf propôs o adiamento da votação da Mesa Diretora para dar mais tempo de articulação ao grupo, Brito apresentou uma resolução para alterar o regimento interno e permitir a reeleição da atual presidente.
Stopa sustenta que o mandato pertence à legenda e que a executiva nacional exige fidelidade partidária, o que pode levar, inclusive, à judicialização dos mandatos por infidelidade no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT). Apesar do veto a Paula Calil, o presidente estadual da sigla evitou cravar apoio à eleição do vereador Ilde Taques (Podemos).
“Sem dúvida. Posição 100% tomada e respaldada pelo Estatuto Partidário a nível nacional e estadual (...) Não é que o candidato seria o Ilde Taques, o candidato seria aquele que se afastasse da questão PL”, explicou a liderança estadual.
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A tensão no PV de Cuiabá é alimentada por visões distintas sobre a autonomia parlamentar. Nadaf relembrou que, em gestões passadas, parlamentares do PV tiveram liberdade para se posicionar contra o governo municipal sem sofrer punições, classificando a atual exigência como uma "prática nova" da agremiação.
Por outro lado, o PV busca evitar que seus quadros fortaleçam a base de Abilio Brunini no Legislativo. Para Stopa, qualquer articulação futura deve passar pela independência em relação ao Partido Liberal (PL).
“Isso é decisão dos próprios vereadores. O que a gente não quer é o apoio cego e alienado ao PL”, concluiu o dirigente.
O desfecho do caso agora depende da análise da assessoria jurídica da executiva nacional, que orientará os próximos passos da sigla em Mato Grosso quanto à possível perda de mandato dos dois vereadores.
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