A candidata à presidência da República, a advogada mato-grossense Clariana Barão (DC), rejeitou a interpretação de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi influenciado pela questão de gênero. Para Clariana, o processo que levou a saída de Dilma do cargo esteve relacionado à gestão do governo e as chamadas 'pedaladas fiscais'. A candidata também classificou o episódio como uma forma de ingerência política.
"Eu sou uma mulher que defende a bandeira das mulheres. Então, de uma maneira muito intransigente, eu defendo os direitos das mulheres. Agora, eu não concordo que nós, mulheres, escondamos os nossos erros sob a acusação de misoginia", afirmou ao HNT Entrevista.
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Dilma deixou a Presidência em 31 de agosto de 2016, após o Senado aprovar o impeachment por 61 votos a favor e 20 contra. Na sessão, 68 senadores estavam presentes, sendo 13 mulheres e 55 homens. Entre as senadoras, sete votaram contra o impeachment e seis a favor. Já entre os senadores, 13 foram contrários e 42 favoráveis.
No julgamento político, os senadores consideraram Dilma culpada pela prática de crimes de responsabilidade. As 'pedaladas fiscais' foram praticadas pela presidente, segundo o julgamento, a partir da edição de decretos de abertura de crédito, autorizando a suplementação do orçamento em mais de R$ 95 bilhões. Com isso, houve o descumprimento do teto de gastos de 2015. A movimentação no orçamento foi feita sem a autorização do Congresso.
Embora as mulheres representassem uma minoria entre os integrantes do Senado que participaram do julgamento, Clariana não considera correto atribuir o afastamento de Dilma ao fato de ela ser mulher.
"Eu atribuo isso não ao fato de ela ser uma mulher, e sim à má gestão e à pedalada fiscal que ficou confirmada", disse.
MULHERES NA DISPUTA
Nas eleições de 2026, além de Clariana, Samara Martins (UP) também disputa a Presidência da República. As duas são as únicas mulheres entre os candidatos à sucessão presidencial listados na disputa.
Também concorrem ao Palácio do Planalto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edmilson Costa (PCB), Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Pablo Marçal (PRTB), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata).
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