A ala mais radical do PL em Mato Grosso iniciou articulações para retirar Ananias Filho da presidência estadual do partido. O grupo defende que o empresário do agronegócio e primeiro suplente do senador eleito José Medeiros (PL), Odílio Balbinotti Filho (PL), assuma o comando da sigla.
Os chamados 'bolsonaristas raiz' entraram em choque com Ananias após a composição com o MDB nas eleições de 2026. A articulação contribuiu para o rompimento entre lideranças do partido e aprofundou a divisão interna entre uma ala mais radical e outra aberta a negociações com o centro.
Os integrantes do grupo mais conservador também estiveram à frente da chamada 'rebelião dos prefeitos', movimento que levou os prefeitos do PL a deixar o palanque do senador Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo governo e apoiar o governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos).
Os prefeitos de Rondonópolis, Cláudio Ferreira; de Várzea Grande, Flávia Moretti; e de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, ficaram no centro do conflito após manifestarem apoio a Pivetta, em oposição à aliança de Wellington com o MDB.
Uma das principais críticas a Ananias foi a condução da crise com os prefeitos. Em vez de buscar uma saída negociada, ele instaurou procedimentos administrativos para expulsá-los. O dirigente recebeu respaldo da direção nacional do PL para dar andamento à medida.
Balbinotti passou a ser citado nos bastidores como possível nome para a presidência estadual pelo perfil considerado conciliador. Ele ganhou projeção política pelas doações de valores elevados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), movimento que o aproximou da família Bolsonaro e da cúpula nacional do partido.
Durante a formação das chapas para as eleições de 2026, o empresário chegou a ser cotado para disputar o governo de Mato Grosso. A ala mais ideológica do PL demonstrava simpatia à possibilidade, mas Wellington intensificou as articulações para concorrer ao cargo, e Balbinotti recuou para evitar um conflito maior dentro do grupo.
Fora da disputa pelo governo, Balbinotti foi escolhido como primeiro suplente na chapa de José Medeiros, eleito senador. A composição entre os dois foi confirmada nas urnas.
Durante a campanha, Balbinotti e Medeiros também acompanharam o movimento de apoio a Pivetta e deixaram de sustentar a candidatura de Wellington ao governo. A articulação viabilizou a 'dobradinha' entre Medeiros e o senador eleito Mauro Mendes (União Brasil), defendida por Jair Bolsonaro ainda em 2025.
O desgaste de Ananias com setores mais antigos do PL também ficou evidente durante os atos do segundo turno da eleição presidencial, que têm como candidato o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na terça-feira (13), durante a inauguração da Casa 22, em Cuiabá, Ananias, que costumava receber destaque nos eventos partidários, ficou em uma posição mais discreta no palco, distante de José Medeiros, Mauro Mendes, Otaviano Pivetta e Balbinotti. O dirigente teve participação tímida e evitou falar com a imprensa.
As conversas sobre a escolha do novo presidente estadual do PL devem ganhar força em novembro, após o segundo turno. Além de Balbinotti, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também pode colocar o nome na disputa. Ele preside atualmente o diretório municipal da sigla na Capital.
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