O governador de Mato Grosso Otaviano Pivetta (Republicanos) contestou as declarações do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres solteiras "votam muito mal". O gestor também lamentou a baixa representatividade feminina nos espaços de poder e defendeu uma mudança cultural fundamentada na educação para combater a violência de gênero e incentivar o protagonismo das mulheres na política.
As críticas de Figueiredo ocorreram durante uma transmissão ao vivo, na qual ele também atacou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a senadora Damares Alves (PL), classificando-as como "feministas". Ao ser questionado se tais declarações representam uma forma de silenciamento, Pivetta relacionou o desprezo verbal ao início do ciclo de violência.
“A violência começa aí, começa em desprezar o outro, desprezar o próximo, nesse caso as mulheres. Eu contesto com veemência esse tipo de afirmação, as mulheres são maioria no eleitorado brasileiro, elas têm o poder de decidir uma eleição, uma não, tem o poder de decidir todas as eleições, eu só lamento que tenham poucas mulheres candidatas”, afirmou o governador, em coletiva nesta quarta-feira (1°).
O governador aproveitou a fala para lamentar o cenário de baixa participação feminina, ressaltando que a falta de candidaturas é prejudicial ao país.
“Isso é muito ruim para uma democracia, é muito ruim de maneira geral, então o que eu gostaria é que tivéssemos metade dos candidatos nominados mulheres, e mulheres preparadas, competentes, como temos muitas na política hoje em dia”, completou.
A análise de Pivetta se estendeu à necessidade de reformas estruturais na cultura brasileira. Ele defendeu que o Estado deve focar na educação das jovens como ferramenta de emancipação.
“Nessa geração nossa, dos últimos 50 anos, a gente percebe que muitas coisas não estão certas, no contexto da sociedade, nós precisamos mudar o jeito de fazer. E a minha proposta é que o Estado continue melhorando na educação, com foco nas nossas meninas, para que elas, cedo na vida, primeiro tenham uma educação para ter saúde, para os autocuidados, para qualificação, para ter um emprego logo no início da juventude”, explicou.
A urgência por políticas de proteção e conscientização é reforçada pelas estatísticas: no primeiro semestre de 2026, Mato Grosso registrou 23 feminicídios, com os maiores índices concentrados em Cuiabá e Várzea Grande.
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