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Polícia Sábado, 27 de Junho de 2026, 08:35 - A | A

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SAFRA DE SANGUE

Produtor é baleado na frente da família após disputa judicial por dívida agrícola; assista

Produtor rural foi baleado no rosto e no ombro na frente da esposa e dos filhos por funcionário contratado por multinacional; caso ocorreu durante o cumprimento de um mandado de arresto de lavoura em Feliz Natal.

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Uma disputa judicial envolvendo uma dívida agrícola terminou em tiros na manhã desta sexta-feira, 26, na Fazenda Rio Ferro, em Feliz Natal (510 km de Cuiabá). Maikel Alan Tespesal foi atingido por dois disparos de pistola no rosto e no ombro enquanto dirigia sua caminhonete pela propriedade na frente da esposa e dos dois filhos, de 15 e 2 anos.

O autor dos disparos, identificado como Renato Azilago, contratado pela Agrex do Brasil, corporação controlada pela japonesa Mitsubishi. Renato estava no local para colher milho como garantia para o pagamento de um débito em discussão na Justiça.

De acordo com o relato de Thatieli dos Santos, esposa da vítima, a família realizava um passeio de rotina pela propriedade para inspecionar a lavoura a bordo de uma caminhonete Hilux branca. Um vídeo gravado pelo filho de 15 anos registrou o momento em que a família passa por um veículo estacionado na estrada. Renato Azilago desce do automóvel e inicia os disparos. Na tentativa de escapar, Maikel atropela Renato e foge do local.

Os projéteis atravessaram o para-brisa do veículo. Mesmo ferido, Maikel conseguiu conduzir o automóvel até o pronto-socorro de Feliz Natal. Devido à gravidade das lesões, ele foi transferido para o Hospital Regional de Sorriso, onde passou por procedimento cirúrgico para a retirada das duas balas alojadas. Renato Azilago também se feriu no atropelamento e foi levado para a mesma unidade hospitalar em Sorriso.

Segundo o boletim de ocorrência, Renato recebeu os primeiros socorros do oficial de Justiça Genilson, que acompanhava o cumprimento da ordem judicial no momento do ocorrido. O documento policial também aponta que uma vigilante terceirizada, identificada como Francineide, efetuou um disparo de revólver calibre .38 contra o pneu dianteiro da caminhonete de Maikel com o objetivo de conter a fuga, no intervalo entre o atropelamento e os tiros disparados por Renato.

O despacho judicial autorizava a Agrex do Brasil a entrar na propriedade, realizar a colheita e transportar o grão com auxílio de força policial para garantir o recebimento de 48.780 sacas. A defesa do produtor ingressou com uma medida cautelar para suspender a ação, sem sucesso. O texto da ordem judicial mencionava a colheita de soja, embora a área estivesse cultivada com milho.

A disputa comercial decorre de um contrato de compra de insumos agrícolas. Originalmente, Maikel deveria quitar a obrigação com a entrega de 32.520 toneladas de milho, mas a multinacional obteve em juízo a elevação do montante sob a alegação de descumprimento de outras cláusulas contratuais.

A família do produtor contesta os termos da execução. Thatieli dos Santos afirmou que o pagamento integral não foi efetuado porque a empresa descumpriu os volumes de entrega combinados. Segundo ela, na safra de soja, foram entregues apenas 50 das 90 partes de fósforo adquiridas, gerando um primeiro arresto judicial ao fim do ciclo. Na safra atual de milho, a empresa teria entregado 200 das 400 toneladas de ureia encomendadas. A esposa do produtor ressaltou que, apesar da discordância com a decisão judicial, a colheita ocorria sem resistência por parte da família e que não houve diálogo prévio com os prestadores de serviço antes do ataque.

A assessoria de comunicação da Agrex do Brasil informou em nota que a empresa sempre prioriza o relacionamento com seus clientes, que os fatos estão sob investigação e que colabora integralmente com as autoridades.

* Com informações do site GC Notícias

 

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