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Política Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026, 19:13 - A | A

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Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026, 19h:13 - A | A

"ARMAÇÃO ELEITOREIRA"

Mauro Mendes chama Operação de armação e responsabiliza Taques, Janaina, Jayme e Fávaro

Ex-governador afirma que investigação foi motivada por "mentiras", nega irregularidades no acordo com a Oi e diz que adversários políticos usaram a operação para tentar prejudicá-lo às vésperas das eleições

GABRIEL BARBOSA
da Redação

REPRODUÇÃO

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O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) reagiu pela primeira vez à Operação Heritage e classificou a investigação da Polícia Federal como uma "armação eleitoreira". Em vídeo divulgado na noite desta quinta-feira (6), ele responsabilizou diretamente o ex-governador Pedro Taques, a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o senador Jayme Campos (União) e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD) pela deflagração da operação que investiga um suposto desvio de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.

Segundo Mauro, os adversários políticos teriam construído uma narrativa com informações falsas para provocar a abertura da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador afirmou que o relatório elaborado pela Polícia Federal seria um "copia e cola" da representação apresentada por Pedro Taques.

"Janaina Riva e Pedro Taques fizeram uma denúncia há mais de um ano criando narrativas falsas sobre isso. Colocaram no processo muitas mentiras e inverdades. O relatório feito pela Polícia Federal é um verdadeiro copia e cola da denúncia do Pedro Taques", declarou.

Mauro também afirmou que a operação ocorreu em meio ao período eleitoral e insinuou motivação política para a ação. Segundo ele, seus adversários já comentavam nos bastidores sobre uma operação antes mesmo do cumprimento dos mandados.

"As investigações podem demorar anos e as eleições serão em 60 dias. Está claro que esses adversários políticos têm a intenção de usar isso como instrumento político para tentar me prejudicar", afirmou.

Durante o pronunciamento, o ex-governador também citou a rejeição do nome de Jayme Campos para disputar o Governo do Estado pelo União Brasil, a homologação da candidatura de Pedro Taques ao Senado e a decisão do grupo político de Otaviano Pivetta de não escolher Janaina Riva como candidata a vice-governadora. Para Mauro, a sucessão desses fatos demonstra uma tentativa coordenada de desgastar seu grupo político.

DEFESA DO ACORDO COM A OI

No vídeo, Mauro voltou a defender a legalidade do acordo firmado entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a operadora Oi para encerrar uma disputa tributária iniciada em 2009.

Segundo ele, após anos de discussão judicial, o Estado perdeu a ação e teria de devolver aproximadamente R$ 580 milhões já corrigidos. O acordo reduziu o pagamento para R$ 308 milhões.

"O pagamento feito pelo Governo do Estado foi correto e está dentro da legalidade", afirmou.

Ainda conforme Mauro, o acordo foi analisado por procuradores do Estado, homologado pelo Poder Judiciário e considerado legal pelo Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público de Contas e Ministério Público Estadual.

O ex-governador também negou qualquer relação dele ou de familiares com os fundos de investimento citados na investigação.

"Os fundos que receberam esse recurso não têm nenhuma relação comigo ou com qualquer membro da minha família", disse.

COMPARAÇÃO COM INVESTIGAÇÃO ANTERIOR

Mauro Mendes relembrou uma operação da Polícia Federal realizada em 2014, quando era prefeito de Cuiabá. Segundo ele, a investigação trouxe prejuízos pessoais e empresariais, mas acabou arquivada anos depois.

"Em 2017, a própria Polícia Federal concluiu que eu não havia feito absolutamente nada de errado. Agora, mais uma vez, recebi a Polícia Federal na minha casa. Por mim, pode investigar à vontade. Não tenho nada a temer", afirmou.

O ex-governador também disse que vai colaborar com as investigações e pediu rapidez na apuração.

"Vou colaborar e pedir que seja rápido. Não demore três anos. Tenho certeza de que tudo será esclarecido e a verdade será restabelecida."

CONFIRA:

O CASO

A Operação Heritage foi deflagrada nesta quinta-feira (6) pela Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso de informação privilegiada relacionadas ao acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi.

Segundo a investigação, após a celebração do acordo, que resultou no pagamento de R$ 308 milhões, os recursos teriam sido direcionados por uma estrutura de fundos de investimento utilizada para ocultar a origem e a destinação do dinheiro. A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados e determinou bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, além de outras medidas cautelares contra os investigados. O caso segue sob investigação e não há condenações.

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